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A economia brasileira deve crescer 2,4% este ano, acima da média da América Latina e Caribe (2,3%). A projeção é do Banco Mundial, que divulgou nesta terça-feira (7) mais uma edição do relatório econômico para a região.  Os economistas do Banco Mundial preveem as seguintes expansões para o Produto Interno Bruto (PIB – conjunto de bens e serviços produzidos) brasileiro: 2025 – 2,4%; 2026 – 2,2%; e 2027 – 2,3%.

As projeções são as mesmas do relatório de junho deste ano. As estimativas ficam acima tanto das do Banco Central (BC) brasileiro, quanto do mercado financeiro aqui no país. O Relatório de Política Monetária do BC, divulgado no último dia 25, aponta crescimento de 2% em 2025 e de 1,5% no ano que vem. Já o Boletim Focus, pesquisa do BC com instituições financeiras, divulgado nesta segunda-feira (6), prevê alta do PIB de 2,16% em 2025 e de 1,8% em 2026.

No ano passado, o PIB brasileiro teve expansão de 3,4%. O Ministério da Fazenda tem projeções mais otimistas, com alta de 2,3% em 2025 e de 2,4% em 2026, de acordo com o Boletim MacroFiscal de setembro. O relatório do Banco Mundial não traz justificativas específicas para a projeção de todos os países, apenas para a região da América Latina e Caribe como um todo.

América Latina e Caribe

O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional, formada por 189 países. A instituição faz parte do sistema das Nações Unidas e fica sediada na capital dos Estados Unidos, Washington. O banco multilateral tem como papel conceder empréstimos a países em desenvolvimento para financiar projetos de infraestrutura, saúde, educação e outras áreas.

Para os 29 países da América Latina e Caribe, o Banco Mundial prevê crescimento de 2,3% em 2025 e 2,5% no ano seguinte. A estimativa de 2025 é a mesma do relatório de junho. Já a de 2026 fica 0,1 ponto percentual acima. Em 2024, América Latina e Caribe cresceram 2,2%, assinala o Banco Mundial. Ao separar as projeções por países, a Guiana se destaca, com 11,8% de expansão do PIB este ano e crescimentos superiores a 20% nos anos seguintes: 22,4% em 2026 e 24% em 2027. A explicação está no pujante setor petrolífero.

Recentemente a Guiana mergulhou na exploração de petróleo na Margem Equatorial, região geográfica próxima à Linha do Equador, também desejada pela Petrobras. Depois da Guiana, o maior crescimento previsto é da Argentina, 4,6% em 2025 e 4% no ano que vem. Apesar do destaque, a projeção é um recuo em relação ao relatório de junho (5,5% em 2025, 4,5% em 2026).

“A Argentina continua apresentando uma recuperação econômica notável após dois anos consecutivos de contração, embora desafios profundos ainda persistam”, ressaltam os economistas. Os piores números são da Bolívia, com previsão de três anos de queda no PIB, sendo -0,5% este ano, -1,1% em 2026 e -1,5% em 2027.

Razões para a região

De acordo com o Banco Mundial, a América Latina e o Caribe têm o ritmo mais lento entre as regiões globais. Entre as explicações, os especialistas da instituição apontam questões externas e internas. Nas externas, estão a desaceleração da economia global e queda no preço de commodities (matérias-primas comercializadas em grande escala e preços internacionais). Países como o Brasil, Chile, Venezuela e Bolívia são grandes exportadores de commodities.

No cenário interno, os economistas apontam a política monetária (combate à inflação), que funciona como um freio na economia. Outros pontos citados são baixo nível de investimento, “tanto público quanto privado”, e “persistente falta de espaço fiscal”, ou seja, governos com limitação dos gastos públicos.

“Esses desafios apenas reforçam a relevância da agenda de reformas voltadas ao crescimento que são necessárias nas áreas de infraestrutura, educação, regulação, concorrência e política tributária”, assinala o Banco Mundial.

“Enfrentar essas questões exige reformas profundas, entre elas: melhorar os sistemas educacionais em todos os níveis, fortalecer a qualidade das universidades e institutos de pesquisa, bem como estreitar seus vínculos com o setor privado; além de aprofundar os mercados de capitais e facilitar a gestão do risco inerente aos processos de inovação e empreendedorismo”, completa o relatório.

A produção industrial registrou alta de 0,8% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (3), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima da mediana das projeções colhidas pelo Projeções Broadcast, de 0,3%, com intervalo entre queda de 0,6% a uma alta de 1,2%.

Em relação a agosto de 2024, a produção caiu 0,7%. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam desde uma queda de 3,0% a uma estabilidade (0,0%), com mediana negativa de 1,2%.

No acumulado do ano, a indústria subiu 0,9%. No acumulado em 12 meses, houve alta de 1,6%, ante aumento de 1,9% até julho, de acordo com o IBGE.

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Nível recorde

Em agosto, a indústria brasileira operava 14,4% aquém do pico alcançado em maio de 2011. Na categoria de bens de capital, a produção está 29,8% abaixo do pico registrado em setembro de 2013, enquanto os bens de consumo duráveis operam 31,2% abaixo do ápice de junho de 2013.

Os bens intermediários estão 10,6% aquém do auge de maio de 2011, e os bens semiduráveis e não duráveis operam em nível 14,3% inferior ao pico de junho de 2013.

A diretora de Comunicações do Fundo Monetário Internacional (FMI), Julie Kozack, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Fundo segue em estreita cooperação com a Argentina para apoiar a estabilidade econômica do país. Segundo ela, o objetivo é ajudar no “caminho rumo a um crescimento mais sustentável e liderado pelo setor privado”. Kozack destacou que esse diálogo inclui encontros recentes com autoridades argentinas, entre elas o presidente Javier Milei, durante a Assembleia Geral da ONU. A porta-voz ressaltou ainda a importância do respaldo internacional, lembrando o apoio já manifestado pelos Estados Unidos, pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“O FMI está engajado muito de perto com todos esses parceiros à medida que avançamos juntos no apoio à Argentina”, afirmou. A representante do Fundo também reforçou a necessidade de disciplina fiscal e monetária. “Continuaremos a exigir das autoridades um compromisso inabalável com a âncora fiscal, apoiado por uma política monetária consistente e um arcabouço cambial voltado para reconstruir reservas”, disse. Kozack acrescentou que fortalecer a confiança e sustentar o progresso no combate à inflação é essencial para garantir a recuperação econômica do país.

Bancos e instituições financeiras que operam o Pix implementaram nesta quarta-feira (1) uma nova ferramenta digital, o MED Autoatendimento, conhecido como “botão de contestação”, para acelerar a recuperação de valores em casos de fraude, golpe ou erro sistêmico. A iniciativa, liberada pelo Banco Central (BC), permite que usuários contestem transações fraudulentas diretamente pelo aplicativo do banco.

Para utilizar o novo recurso, o cliente deve acessar o aplicativo de sua instituição, buscar a opção “contestar Pix” ou “solicitar devolução” e anexar evidências, como prints e comprovantes. A contestação é então comunicada ao banco do suposto golpista, que bloqueia os recursos. Ambas as instituições têm um prazo de até sete dias para analisar o caso e, se a fraude for confirmada, a devolução é efetuada, com o retorno ao cliente em até 11 dias após a contestação.

O coordenador da Comissão de Cibersegurança da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Paulo Condutta, destaca que a novidade encurta o caminho para o estorno. “Velocidade é chave para aumentar a capacidade de retenção dos valores bloqueados”, afirma. É importante ressaltar que o “botão de contestação” não se aplica a desacordos comerciais, arrependimentos ou erros de digitação na chave Pix.

A medida faz parte do conjunto de ações do BC para aprimorar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado em 2020. Em agosto, o BC anunciou outra mudança: a partir de 23 de novembro (tornando-se obrigatória em 2 de fevereiro de 2025), o pedido de estorno em casos de golpe poderá partir de outras contas que não a utilizada na fraude, visando impedir que golpistas burlem a devolução transferindo o dinheiro para outros bancos.

Condutta avalia que essas modificações representam novas “armas” contra a crescente sofisticação dos criminosos, adicionando camadas de proteção em todas as instituições que possam receber os valores fraudulentos. As iniciativas surgem em um cenário de aumento das ameaças cibernéticas ao sistema financeiro brasileiro. Um relatório recente da Fitch Ratings alertou que, embora fintechs e bancos menores estejam mais expostos, a complexidade dos ataques eleva a vulnerabilidade de todo o ecossistema. O setor bancário, por meio de entidades como a ABBC e o site temcaradegolpe.com.br, tem intensificado a comunicação e o investimento em tecnologia para combater esses crimes.

A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (2) a convocação do ex-procurador-geral da autarquia Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, apontado como um dos facilitadores dos descontos associativos ilegais a aposentados. Segundo as investigações, uma empresa da mulher dele, Thaisa Hoffmann, recebeu R$ 11,9 milhões em propina. Os pagamentos seriam feitos por entidades em troca de pareceres que permitiram a continuidade do esquema. Dentre os repasses, há valores transferidos por uma firma de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Ainda não há data para o depoimento de Virgílio, afastado do cargo pela Polícia Federal. Thaisa Hoffmann e a irmã dele, Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira, também foram convocadas. Os depoimentos delas ainda não foram agendados. No início de setembro, a CPMI também aprovou a quebra do sigilo bancário Virgílio Ribeiro de Oliveira Filho. A medida também foi tomada em relação a outras 66 pessoas e 91 associações e empresas.

Ainda nesta quinta, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que tem encontrado dificuldades de localizar parte dos convocados por requerimentos de parlamentares membros da comissão. O parlamentar informou que poderá pedir a condução coercitiva de investigados, caso persista a dificuldade. Entre eles, está o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Milton Baptista de Souza, o Milton Cavalo. A entidade é suspeita de cobrar mensalidades não autorizadas e citada nas investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal. “Caso nós não tenhamos respostas positivas ou datas confirmadas por aqueles que já foram convocados por essa CPMI, esta presidência irá à Justiça e pedirá a condução coercitiva dessas pessoas”, disse.

O colegiado já decretou a prisão de dois depoentes: o empresário Rubens de Oliveira, apontado como operador financeiro do esquema, e Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). As detenções dos investigados se deve ao entendimento de que eles mentiram durante os depoimentos. Os dois foram liberados depois. “Vamos continuar trabalhando da mesma maneira. Todos serão respeitados aqui. Os direitos serão todos mantidos, mas a pessoa que mentir aqui vai receber voz de prisão. Estamos bem firmes neste assunto”, disse o presidente do colegiado.

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,6% no trimestre encerrado em agosto, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira (30), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou igual a mediana das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, com um intervalo entre 5,4% e 6,0%.

Em igual período do ano anterior, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 6,6%. No trimestre encerrado em julho, a taxa de desocupação estava em 5,6%. A massa de rendimento real habitual somou R$ 352,6 bilhões no trimestre até agosto, alta de 1,4% no trimestre e 5,4% no ano.

A taxa de desocupação de 5,6% registrada no trimestre terminado em agosto repetiu o patamar do trimestre terminado em julho, mantendo-se assim no menor resultado em toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo IBGE.

O presidente do Banco CentralGabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira (29) que o BC não pode “se emocionar” com um dado isolado para definir os próximos passos da política monetária. “Sempre, nesse começo de inflexão de economia, vão chegar dados mistos, e por isso que é importante que o Banco Central siga sem se emocionar, sem querer reagir imediatamente a partir de um dado isolado”, comentou Galípolo durante participação de evento no Itaú BBA, em São Paulo.

Ao comentar sobre o cenário econômico, Galípolo reforçou que ainda vê a inflação de serviços rodando em um nível bastante alto e incompatível com a meta de 3%. Ele também destacou que o mercado de trabalho está resiliente e no nível mais “exuberante” da história do país. O presidente do BC pontuou, contudo, que o cenário atual tem corroborado a visão original do BC, de que há uma suavização do ciclo econômico. “Acho que esse é um cenário que vem fornecendo e subsidiando aquele cenário esperado de uma desaceleração ordenada”, disse o banqueiro central.

Galípolo reforçou, ainda, que o ponto central é buscar convergência da inflação para a meta, a despeito das razões que levam a essa desancoragem. “Tem várias razões para desancoragem, mas o fato é que o ponto central é discutir se o patamar do juro é restritivo o suficiente no período que for necessário para que a gente possa produzir a convergência”, detalhou.

 

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 4,83% para 4,81% este ano. A estimativa foi publicada no boletim Focus desta segunda-feira (29), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Para 2026, a projeção da inflação também caiu, de 4,29% para 4,28%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 3,9% e 3,7%, respectivamente.

A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em agosto, puxada pela redução na conta de energia elétrica, a inflação oficial ficou negativa, ou seja, deflação de 0,11%. Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 5,13%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. As incertezas do cenário econômico externo e indicadores que mostram a moderação no crescimento interno estão entre os fatores que levaram à manutenção da Selic, na última reunião, este mês. A intenção do colegiado é, de acordo com a ata divulgada, manter a taxa de juros atual “por período bastante prolongado” para garantir que a meta da inflação seja alcançada.

A estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 nesses 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano foi mantida em 2,16%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,9% e 2%, respectivamente.

Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 0,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%. A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,48 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,58.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (24), um projeto de lei que pode beneficiar milhões de brasileiros. A proposta, que agora segue para a Câmara dos Deputados, isenta do Imposto de Renda (IR) pessoas com rendimentos mensais de até R$ 5 mil, a partir de 2026. Atualmente, essa isenção se aplica a quem ganha até R$ 3.036 por mês.

Além de elevar o limite de isenção para R$ 5 mil, o projeto também estabelece um desconto decrescente para a cobrança do imposto para aqueles que recebem entre R$ 5.001 e R$ 7.350. Isso significa que, mesmo não sendo totalmente isentos, esses contribuintes pagarão menos Imposto de Renda do que pagam hoje.

A aprovação do texto na CAE aconteceu em caráter terminativo, o que significa que ele seguirá diretamente para a Câmara, sem precisar ser votado no plenário do Senado, a menos que haja um recurso de algum senador.

Contexto político e próximos passos

A proposta aprovada no Senado tem um teor semelhante a um projeto do governo federal que já tramita na Câmara, uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aprovação da matéria no Senado, no entanto, é vista como um movimento estratégico e político, especialmente com a disputa velada entre os líderes políticos Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL), que também devem concorrer ao Senado em 2026.

Lira é o relator do projeto do governo na Câmara, e Calheiros, no Senado, atuou para dar andamento à proposta de 2019, de autoria de Eduardo Braga (MDB-AM), argumentando que o texto do Executivo estava parado. Na próxima semana, a Câmara deve colocar em votação o projeto do governo.

A ampliação da isenção do IR é uma das medidas que o governo espera que melhorem sua popularidade. Agora, o futuro da proposta está nas mãos da Câmara dos Deputados, onde os parlamentares decidirão qual dos textos — o do Senado ou o do governo — seguirá para aprovação final.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, reafirmou nesta terça-feira (23) que o governo dará todo o suporte às empresas brasileiras afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos. “Nenhuma empresa impactada pelas tarifas ficará para trás. Já aprovamos R$ 1,5 bilhão em crédito com recursos do Plano Brasil Soberano“, comentou a jornalistas na saída do seminário “Direito, democracia e crédito: construindo um desenvolvimento sustentável e equitativo”, realizado na sede do banco, no Rio de Janeiro. Em três dias, o banco realizou 106 operações na linha de capital de giro.

O BNDES vai operar R$ 40 bilhões em crédito: R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões de recursos próprios. Questionado sobre se o valor é suficiente, Mercadante lembrou que, conforme resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na sexta-feira, terão acesso aos recursos do FGE empresas de todos os portes que foram prejudicadas pela tarifa de 50% e cuja receita bruta com exportações aos Estados Unidos represente ao menos 5% do total apurado entre julho de 2024 e junho de 2025.

Questionado novamente sobre se os R$ 30 bilhões disponibilizados pelo FGE bastam, o presidente do BNDES enfatizou a necessidade de manter o diálogo para superar as dificuldades do setor exportador afetado pelas medidas tarifárias impostas pelo governo dos Estados Unidos.

“Eu espero que as dificuldades sejam superadas no diálogo que foi aberto hoje por iniciativa do presidente Trump. Há um esforço muito grande do Brasil que, com tarifas impostas de forma unilateral e sem nenhum critério de racionalidade econômica, de mitigar esse impacto e contribuir para que essas empresas se recuperem”, pontuou Mercadante.

Instalação de comissão

O presidente do BNDES comentou ainda a instalação da comissão no Congresso Nacional para a tramitação da Medida Provisória (MP) do Plano Brasil Soberano. “Estamos bastante otimistas em relação ao apoio e à aprovação. Nossa prioridade é o Brasil Soberano e o Congresso, seguramente, vai apoiar todas as empresas que foram impactadas”, comentou Mercadante.

No âmbito do Plano Brasil Soberano serão financiados recursos para capital de giro e investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.

Oportunidade para o Brasil

Mercadante reiterou que o episódio das medidas tarifárias impostas pelo governo dos Estados Unidos se tornará “uma oportunidade” para o Brasil. “A ApexBrasil fez um trabalho muito importante de inteligência estratégica, mapeando todos os espaços em que nós podemos substituir as exportações americanas. Nós tanto vamos convidar empresários americanos, que são importadores, para tentar repactuar quanto buscar esses novos mercados mapeados”, afirmou o presidente do BNDES.

Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) indicou, em ata divulgada nesta terça-feira (23), que a taxa básica de juros (Selic) deve permanecer em 15% ao ano por um período “bastante prolongado”. O colegiado avalia que a manutenção de juros elevados é necessária para reancorar as expectativas de inflação e garantir a convergência da taxa ao centro da meta de 3%. Na reunião da semana passada, o comitê manteve a Selic em 15% pela segunda vez consecutiva, o maior patamar desde 2006.

Segundo a ata, mesmo com sinais recentes de moderação da atividade econômica e inflação corrente mais favorável, as projeções do mercado ainda seguem acima da meta em todos os horizontes. Para 2025, o Boletim Focus projeta inflação de 4,83%, caindo para 3,70% em 2028. “O comitê avalia que a reancoragem das expectativas de inflação reduz os custos da desinflação e entende que tal processo exige perseverança, firmeza e serenidade”, afirmou o documento.

O Copom destacou que a economia brasileira dá sinais de desaceleração em linha com o esperado, com consumo e crédito em ritmo mais moderado. Apesar disso, núcleos de inflação — que captam tendências futuras — seguem acima do nível compatível com a meta, o que justifica a política monetária restritiva. No cenário externo, a redução de juros nos Estados Unidos trouxe algum alívio aos mercados, mas a autoridade monetária brasileira vê riscos persistentes, como o impacto de tarifas impostas por Washington e a situação fiscal de países desenvolvidos.

A ata reforça que o Banco Central não cogita cortes de juros no curto prazo e que, se necessário, poderá retomar o ciclo de alta. O documento também ressalta a necessidade de coordenação entre política fiscal e monetária para reduzir prêmios de risco e facilitar a convergência inflacionária. Analistas avaliaram que o tom duro do Copom reforça a ideia de estabilidade da Selic ao longo de 2025.

É possível que redução de juros só comece em janeiro de 2026, com a taxa podendo encerrar aquele ano em 12%. Enquanto o BC defende cautela e persistência no combate à inflação, o Ministério da Fazenda demonstra preocupação com os efeitos da política monetária restritiva sobre o crescimento e a arrecadação de impostos.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (22) que todas as opções para estabilização da Argentina estão “sobre a mesa”. Entre as medidas em estudo estão linhas de swap, compras diretas de moeda estrangeira e até aquisições de dívida pública em dólares por meio do Fundo de Estabilização Cambial do Tesouro (ESF). Bessent classificou a Argentina como “um aliado sistemicamente importante dos EUA na América Latina” e disse que o Tesouro americano está pronto para agir dentro de seu mandato para apoiar o país.

O secretário também destacou amplas oportunidades de investimento privado e afirmou que “a Argentina será grande novamente”, em referência ao slogan de campanha do presidente Donald Trump. Ele ressaltou ainda sua confiança no programa econômico do presidente argentino, Javier Milei, destacando o compromisso do governo com disciplina fiscal e reformas pró-crescimento. Segundo Bessent, tais medidas são essenciais para “romper a longa história de declínio” do país.

Bessent reforçou que já havia manifestado apoio a Milei em abril, durante encontro em Buenos Aires. Milei respondeu agradecendo publicamente ao secretário e a Trump pelo “apoio incondicional ao povo argentino” e reforçou a importância da cooperação entre aqueles que “defendem ideias de liberdade”. O presidente argentino confirmou a reunião bilateral com Bessent e Trump, marcada para terça-feira (23) em Manhattan, no contexto da Assembleia Geral da ONU.

O apoio dos EUA também se estende à entrega do prêmio Global Citizen Award a Milei, concedido pelo Atlantic Council, durante evento em Nova York na quarta-feira (24). A Argentina enfrenta forte tensão financeira, com alta do dólar em relação ao peso argentino. O governo negocia novo empréstimo com o Tesouro americano para pagar dívidas de US$ 4 bilhões em janeiro de 2026 e US$ 4,5 bilhões em julho do mesmo ano. Na semana passada, o Banco Central argentino vendeu US$ 1,11 bilhão para tentar conter a valorização do dólar.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende votar no Plenário, na próxima semana, a proposta que concede isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil (PL 1087/25).

Segundo ele, o relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL), vai discutir o texto com os líderes partidários amanhã (23). A ideia é que eles busquem apoio em suas bancadas.

Ao participar de evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo, nesta segunda-feira (22), Motta afirmou que a medida representa avanços em termos de justiça tributária. "Chegou o momento de levar [o texto] ao Plenário. Entendo que o trabalho realizado na comissão pode ser mantido no Plenário, mas cada partido, claro, pode apresentar destaques e emendas."

Motta ressaltou que o Plenário é soberano, mas é preciso ter responsabilidade, porque a decisão afeta as contas públicas. Ele não acredita que as compensações para a isenção sugeridas pelo governo sejam retiradas do texto pela oposição, o que implicaria uma crise fiscal.

Todos os itens projetados pelo Boletim Focus, do Banco Central (BC), que traz expectativas do mercado financeiro para 2025, apresentaram estabilidade em relação às projeções divulgadas na semana passada. O documento mantém em 4,83% a projeção de inflação para 2025 – índice que é ​definido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Há quatro semanas, a inflação oficial do país foi projetada em 4,86%, percentual que cai para 4,29%, quando projetado para 2026, e para 3,90% para 2027.

Em agosto, o país registrou pela primeira vez, desde agosto de 2024, inflação negativa (deflação de -0,11%), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Com isso, as projeções do mercado financeiro ficam mais próximas do teto superior (4,5%). No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a deflação foi ainda maior, ficando em -0,21%. Desde agosto de 2024, quando o INPC ficou em -0,14%, não se registrava deflação neste índice. O INPC calcula a inflação média do país.

PIB

A projeção do mercado financeiro para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas riquezas produzidas no país) éde 2,16% – o mesmo percentual estimado há uma semana. Há quatro semanas, as expectativas do mercado financeiro eram de que o PIB brasileiro fecharia o ano com um crescimento de 2,18%. Para 2026 e 2027, as expectativas também se mantiveram estáveis, em 1,80% e 1,90%, respectivamente, na comparação com a semana passada.

Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic. Pela 13ª semana consecutiva, o boletim Focus mantém as projeções deste índice em 15% ao ano, mesmo percentual definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Para os anos subsequentes (2026 e 2027), o índice está projetado em 12,25%; e 10,50%, respectivamente. O Copom justificou a manutenção da Selic em 15%, pela incerteza do ambiente externo, “em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos”. Segundo o comitê, o cenário exige cautela “por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”.

Também é citado o cenário doméstico. Para o Copom, os indicadores de atividade econômica apresentam moderação no crescimento, apesar do dinamismo do mercado de trabalho. A inflação permanece acima da meta. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Os bancos consideram outros fatores, além da Selic, na hora de definir os juros a serem cobrados dos consumidores. Entre eles, estão risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Dólar

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro manteve em R$ 5,50 a projeção da cotação, ao final de 2025. Há quatro semanas, o Focus estimava que a moeda norte-americana fecharia o ano cotada a R$ 5,59%. Para 2026 e 2027, as expectativas do mercado são de que o dólar feche o ano com a mesma cotação: R$ 5,60. Atualmente, a cotação do dólar está em R$ 5,32.

O uso de cartões de crédito corporativos cresceu de forma expressiva em 2025. Dados da fintech Conta Simples, que atende cerca de 30 mil empresas, mostram que esses meios de pagamento movimentaram R$ 2,4 bilhões no primeiro semestre do ano. O valor equivale a 10% de todo o volume registrado em 2023 no segmento de cartões PJ, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

O levantamento indica também um aumento de 140% na emissão de cartões no período, totalizando mais de 165 mil novos plásticos apenas entre janeiro e junho. Desde a fundação, a Conta Simples já distribuiu mais de 1 milhão de cartões para clientes corporativos. A tendência acompanha dados da Visa Consulting & Analytics, que apontou avanço de 45% no uso de cartões empresariais no Brasil em seu último estudo.

Segundo o CEO e cofundador da Conta Simples, Rodrigo Tognini, o movimento está diretamente ligado à retomada da mobilidade nos negócios. “Viagens, reuniões presenciais e eventos voltaram ao centro da estratégia das marcas. Com isso, cresce também a necessidade de ferramentas que ofereçam controle e agilidade na gestão de despesas”, disse.

Cartões virtuais ganham espaço

Um dos destaques do levantamento é o avanço dos cartões virtuais, especialmente entre empreendedores digitais. No primeiro semestre, 95% das emissões da fintech foram nessa modalidade. O recurso tem sido adotado por infoprodutores, que utilizam os cartões para organizar investimentos em campanhas de marketing online, segmentando limites e despesas por projeto ou canal de mídia.

“Esse meio de pagamento se torna um instrumento de estratégia e controle, oferecendo flexibilidade e segurança para quem atua no digital”, afirmou Tognini.

Viagens corporativas em alta

Outro setor em destaque é o de viagens corporativas. A fintech registrou presença constante desse tipo de gasto nas transações realizadas no semestre. A tendência acompanha estimativas da Global Business Travel Association (GBTA), que prevê movimentação de mais de US$ 30 bilhões no setor no Brasil em 2025.

De acordo com a Conta Simples, pequenas e médias empresas têm recorrido a cartões virtuais para gerenciar despesas com passagens, hospedagens e deslocamentos.

Distribuição regional

O estudo também detalha a movimentação por regiões do país. O Sudeste lidera, com R$ 553 milhões transacionados, impulsionado por São Paulo. Na sequência, aparecem Sul (R$ 200 milhões), Nordeste (R$ 198 milhões), Centro-Oeste (R$ 86 milhões) e Norte (R$ 13 milhões).

Segundo Tognini, os resultados mostram que o cartão corporativo está consolidado como ferramenta de gestão financeira em diferentes perfis de negócios. A fintech prevê novidades para o segundo semestre voltadas ao público de pequenas e médias empresas.

Senado Federal marcou para quarta-feira (24) a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024, que trata da segunda etapa da regulamentação da reforma tributária. O texto, aprovado na semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deve ser analisado pelo plenário e, se aprovado, seguirá para a Câmara dos Deputados.

A proposta define regras para o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), responsável por arrecadar e distribuir o tributo estadual e municipal, além da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal. Esses dois impostos substituirão parte da atual estrutura tributária sobre consumo e começarão a vigorar em 2027, com um período de teste em 2026.

Antes disso, na terça-feira (23), os senadores devem votar o PLP 168/2025, que regulamenta a medida provisória destinada a socorrer empresas impactadas pelo “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos. O projeto, apresentado pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tramita em regime de urgência.

O texto exclui, até o fim de 2026, os créditos extraordinários e as renúncias fiscais previstas na medida provisória do cálculo do arcabouço fiscal e das metas de resultado primário. A proposta também libera até R$ 5 bilhões em renúncias fiscais pelo programa Reintegra e autoriza a União a ampliar em até R$ 4,5 bilhões os aportes em três fundos garantidores: o Fundo de Garantia de Operações (FGO), o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e o Fundo Garantidor de Operações de Crédito Exterior (FGCE).

 

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