
O Banco Inter informou em nota que foi surpreendido com a suspensão cautelar de novos consignados pelo INSS. Nesta quinta-feira (16), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou no Diário Oficial da União (DOU) quatro suspensões cautelares de novas averbações de consignado para aposentados e pensionistas, proibindo operações da instituição e do Paraná Banco, da Facta Financeira e da Cobuccio Sociedade de Crédito Direto. A instituição salientou que está contato com o INSS para entender os motivos da decisão. “O Inter reforça ainda seu compromisso com a transparência e o respeito aos clientes, especialmente aposentados e pensionistas”, disse o banco em nota.
Os quatro despachos citam descumprimento dos Acordos de Cooperação Técnica firmados com o INSS. O órgão enfatizou que as decisões são necessárias para “cessar as irregularidades e salvaguardar o interesse público, até a conclusão definitiva dos processos de apuração”.
A atividade econômica brasileira apresentou crescimento no mês de agosto deste ano, de acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (16) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,4% em agosto em relação ao mês anterior, considerando os dados dessazonalizados (ajustados para o período). Na comparação com agosto de 2024, houve variação positiva de 0,1%, sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais. No acumulado do ano, o indicador ficou positivo em 2,6% e, em 12 meses, registrou alta de 3,2%.
O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica do país e ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 15% ao ano. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade de setores da economia – indústria, comércio e serviços e agropecuária –, além do volume de impostos.
A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas ajudam a redução da inflação, mas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Depois de queda em agosto, em setembro a inflação oficial subiu 0,48%, com influência da alta da conta de luz. Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 5,17%, acima do teto da meta, de 4,5%.
As incertezas do cenário econômico externo e esses indicadores, como o IBC-Br, que mostram a moderação no crescimento interno estão entre os fatores que levaram o Copom a manter os juros básicos em 15% ao ano, na última reunião, em setembro.
A intenção do colegiado é, de acordo com a ata divulgada, manter a taxa Selic atual “por período bastante prolongado” para garantir que a meta da inflação seja alcançada.
Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Segundo o BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB”.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 0,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.
A aproximação recente entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reacendeu a esperança de um novo acordo comercial entre os dois países, após mais de dois meses de sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros.
A expectativa é que a reunião entre o secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, prevista para acontecer nesta quinta-feira (16), abra caminho para uma negociação das taxas, com um desfecho mais favorável para o Brasil.
Enquanto um novo acordo não é firmado, no entanto, as empresas brasileiras continuam a sentir o impacto das taxas — e seguem em busca de alternativas para lidar com o impasse comercial.
Os efeitos das tarifas por aqui são diversos. No Ceará, por exemplo, fábricas precisaram cortar gastos enquanto procuram novos clientes na Europa e na Ásia para escoar seus produtos.
Já em Minas Gerais, produtores perderam contratos com os EUA e enviaram amostras a empresas da Noruega e de Dubai, na tentativa de evitar prejuízos. Enquanto isso, as lagostas, tradicionalmente vendidas ao mercado norte-americano, permanecem estocadas, à espera de compradores na China.
Esse cenário mostra que redirecionar exportações dos EUA para outros mercados não é uma tarefa simples — e, segundo especialistas consultado pelo g1, revela falhas na política de comércio exterior do Brasil, ainda vista como defasada.
Entenda nesta reportagem a relação comercial entre o Brasil e os EUA, os motivos que têm dificultado a exportação para outros países por parte das empresas brasileiras e o que esperar da reunião prevista para esta quinta-feira (16).
A relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. E apesar das alegações de Trump de que o comércio com o Brasil é injusto para os EUA, a balança continua a pender a favor dos norte-americanos.
Dados de setembro, por exemplo, indicam que o Brasil registrou um déficit de aproximadamente US$ 1,8 bilhão no mês passado — o nono mês consecutivo de saldo negativo na balança comercial brasileira.
🔎Déficit comercial significa que o Brasil importou mais produtos americanos do que exportou para os Estados Unidos. Para a economia brasileira, esse fato representa um cenário desfavorável.
O número ainda representa uma queda de 20% das exportações brasileiras para os EUA: de US$ 3,23 bilhões em setembro de 2024 para US$ 2,58 bilhões, no mês passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A redução nas exportações para os Estados Unidos — parcialmente compensada pelo aumento das vendas para a China — está relacionada às tarifas mais elevadas impostas pelo governo norte-americano.
Os produtos sujeitos à taxação representam cerca de 55% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 22 bilhões. Entre eles, estão: café, carne, ferro e aço semimanufaturados e produtos manufaturados.
Outros setores impactados incluem siderurgia, madeira, calçados, máquinas e pecuária — especialmente a carne bovina, que não conta com isenção tarifária.
O que dificulta a busca por novos mercados pelas empresas brasileiras?
De maneira geral, o Brasil segue as políticas comerciais do Mercosul, que estabelece uma Tarifa Externa Comum (TEC) para todos os produtos vindos de fora do bloco. Essa taxa costuma variar de 0% a 20%, podendo chegar a 35% em casos excepcionais.
Além disso, dados do Instituto Brasileiro de Comércio Internacional e Investimentos (IBCI) indicam que o Brasil mantém barreiras comerciais relativamente altas, com tarifas médias de 12%. Para efeito de comparação, antes do tarifaço de Trump, a tarifa média dos EUA era de 3%.
O Índice de Abertura Comercial, criado pelo Banco Mundial para medir o quanto um país está conectado ao comércio internacional, ficou em 33,85% para o Brasil em 2023. O resultado foi superior ao dos EUA (25%), mas ainda abaixo da média da OCDE, da média mundial e da América Latina e Caribe.
O índice compara o total de importações e exportações do país com o tamanho da sua economia (PIB).
Os dados reforçam que, embora o Brasil tenha aumentado sua abertura comercial nas últimas décadas, a economia brasileira continua relativamente fechada e protege parte de sua produção em relação ao comércio internacional.
Esse perfil mais protecionista do Brasil pode, por outro lado, diminuir a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
Segundo Sandra Rios, diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes) e coautora do livro “Integração Comercial Internacional do Brasil”, o alto grau de proteção à produção doméstica tem dificultado uma maior integração do Brasil ao mercado global.
“Isso acaba tornando nossos produtos industriais menos competitivos lá fora, porque as empresas estão acostumadas a competir apenas dentro do mercado interno”, afirma.
Rios acrescenta que o país mantém uma rede limitada de acordos comerciais, tendo negociado poucos tratados em comparação com outros países — que, por sua vez, firmaram compromissos que garantem tarifas mais baixas e vantagens competitivas nos principais mercados. "Isso nos coloca em desvantagem".
Os especialistas destacam, ainda, que a busca por novos destinos para exportação passa por um longo processo, que inclui um estudo prévio sobre a demanda, custos logísticos, normas tributárias e diferenças culturais, além de adaptações específicas para determinados setores, como o de alimentos.
Segundo Claiton Alves Cunha, professor da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), até mesmo o tempo para acessar novos mercados varia:
“Produtos perecíveis podem levar menos tempo, enquanto bens de maior valor agregado exigem meses ou até um ano”, explica. Além disso, empresas maiores também têm mais vantagem em novos mercados, pois contam com estruturas internacionais, enquanto médias e pequenas enfrentam processos mais lentos.
O que podemos esperar das negociações entre Brasil e EUA?
A reunião entre Rubio e Vieira marca a mais recente tentativa do governo brasileiro de reverter as sobretaxas dos EUA. A expectativa é que as duas autoridades e outros integrantes do governo norte-americano discutam os próximos passos da agenda comercial.
Segundo Murillo Oliveira, especialista em comércio exterior e investimentos da Saygo Comex, as negociações entre Brasil e Estados Unidos devem se concentrar em dois pontos principais: o afastamento do Brasil em relação ao Brics e o comércio de terras raras — minerais essenciais para a indústria de semicondutores e de defesa.
“Trump voltou a citar diretamente o Brics e deixou claro que quer ver o Brasil se distanciando do grupo e da moeda comum que vem sendo discutida”, afirmou. Segundo ele, essa pode ser uma exigência central dos Estados Unidos na reunião. “O governo brasileiro provavelmente terá de demonstrar algum sinal de afastamento da agenda geopolítica do Brics”, completou.
Já em relação às terras raras, Oliveira destaca a relevância do Brasil nas negociações, uma vez que o país possui a segunda maior reserva desses minerais no mundo, atrás apenas da China.
"Como a China tem restringido exportações desses materiais, é provável que os EUA pressionem por algum tipo de favorecimento no acesso aos recursos brasileiros”, diz o professor.
Os especialistas ainda destacam que, embora a Organização Mundial do Comércio (OMC) tenha um papel importante na intermediação das negociações entre Brasil e EUA, sua atuação tem alcance limitado.
"A base de argumentação do Brasil se apoia em acordos assinados por todos os membros da OMC. Sobretaxas são permitidas, mas devem seguir critérios e estudos, o que não ocorreu”, afirma Stefânia Ladeira, gerente da Saygo Comex. “Mas mesmo que a decisão favoreça o Brasil, não há garantia de reversão das tarifas.”
Já para José Roselino, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mesmo que o Brasil tenha "todos os argumentos para vencer" a disputa comercial, o processo ainda pode levar anos para ser concluído.
"A política tarifária dos EUA 'é irracional' e acaba empurrando parceiros estratégicos em direção à China. Essas ações reduzem a própria relevância dos EUA no comércio internacional", diz.
Ainda assim, o encontro entre os dois países, marcado para esta quinta-feira (16), é visto com otimismo para o mercado — e a expectativa é por uma redução parcial das tarifas impostas pelos EUA.
“Acho difícil voltar ao patamar anterior, mas é possível chegar a um meio-termo — algo em torno de 25% de tarifa. É uma estratégia típica de Trump: eleva as tarifas para forçar a contraparte à mesa de negociação e depois busca um acordo no meio do caminho”, avalia Oliveira.
Próximos passos
Os especialistas consultados pelo g1 também destacam a importância de o Brasil adotar uma política comercial mais estratégica, que amplie sua presença no mercado internacional.
"O Brasil segue como um ponto fora da curva: nossas tarifas médias continuam altas e ainda usamos barreiras não tarifárias de forma mais intensa que outros países. Negociações levam anos para serem implementadas. O Brasil precisa de reformas internas para aumentar competitividade e abrir a economia", diz Rios, do Cindes.
A diretora ainda destaca a importância da decisão do governo brasileiro de recorrer à OMC contra os EUA poucos dias depois que as taxas entraram em vigor. Ela reforça a necessidade de avançar no acordo Mercosul-União Europeia e em novas frentes de negociação. “Sem mudanças na visão das políticas comerciais e industriais, é improvável que o Brasil avance de forma expressiva”, avalia.
Além disso, o Acordo Mercosul-EFTA, assinado ainda no mês de setembro, também abre oportunidades em países europeus que não fazem parte do bloco da União Europeia.

O encontro pode significar uma retomada nas relações amistosas entre as duas nações, abaladas desde que Trump anunciou, em julho, que as exportações de produtos do Brasil para os Estados Unidos seriam taxadas em 50%.
Com essa taxa, o Brasil se tornou o país com as tarifas mais altas do mundo, aplicadas pelos EUA, entre as 22 estipuladas por Trump.
Trump, tarifas e o Brasil
Trump tem ameaçado o mundo com a imposição de tarifas comerciais, desde o início do mandato, e tem dado atenção especial ao grupo do Brics e ao Brasil.
O presidente norte-americano chegou a ameaçar taxas de 100% aos países-membros do bloco que não se curvarem aos “interesses comerciais dos EUA”.
Após sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Trump ameaçou aumentar as tarifas sobre exportações brasileiras.
O líder norte-americano alegou que o Brasil não está “sendo bom” para os EUA.
A taxa de 50% imposta por Trump entrou em vigor em 1º de agosto e é cobrada separadamente de tarifas setoriais, como as que já atingem o aço e alumínio brasileiros.
Em abril deste ano, o Brasil já havia sido atingido pelo tarifaço de Trump e teve os produtos taxados em 10%, inicialmente.
O Metrópoles explica o que estará em jogo na mesa de negociações entre brasileiros e norte-americanos.
Setores mais afetados
Entre os setores da economia mais afetados, estão aqueles com maior exposição ao mercado norte-americano e que dependem de margens competitivas, como o agronegócio e a indústria. Alguns exemplos:
Agronegócio
Café: os EUA são o principal destino do café brasileiro.
Carne bovina: os EUA são o segundo maior mercado, com mais de 500 mil toneladas exportadas em 2024.
Suco de laranja: quase metade das exportações brasileiras vai para os EUA.
Indústria:
Aeronaves: a Embraer é fortemente dependente do mercado americano.
Autopeças e máquinas: produtos de maior valor agregado que perdem competitividade com tarifas elevadas.
Petróleo e derivados: lideram a pauta de exportações, com mais de US$ 2 bilhões em 2025.
Mineração e petróleo
O minério de ferro é uma das maiores fontes de receita do Brasil e a perda de competitividade nos EUA pode gerar efeito cascata em toda a cadeia de mineração nacional.
O petróleo, especialmente o exportado a partir do Rio de Janeiro, também será afetado, uma vez que, apesar de ser uma commodity com preço internacional, as tarifas encarecem o produto final para o importador americano, o que pode levá-lo a buscar outros fornecedores.
Veja a matéria completa em Metrópoles
Ao falar sobre o apagão registrado na madrugada desta terça-feira (14) em todos os subsistemas do país, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que não houve falta de energia, mas um problema na infraestrutura ocasionado por um incêndio numa subestação do Paraná. “É importante que a população entenda o que acontece neste momento. Não é falta de energia. É um problema na infraestrutura que transmite a energia. Quando se fala em apagão, a gente sempre lembra aqueles tristes episódios de 2001 e de 2021 que, na verdade, aconteceram por falta de energia e falta de planejamento. Hoje não. Hoje, nós temos muita energia.”
Em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Silveira destacou que o sistema de transmissão brasileiro foi reforçado por meio da contratação de 70 bilhões de linhas de transmissão. “Estamos com obras em todo o Nordeste brasileiro para o centro de carga, que é o Sudeste. E também ligamos Manaus a Boa Vista. Temos mais segurança energética” acentuou.
“É um episódio pontual que o Operador Nacional do Sistema deu pronta resposta graças a um moderno sistema do nosso operador nacional”, finalizou o ministro.
Dos quatro itens que compõem o Boletim Focus, três mantiveram suas projeções para 2025 estáveis: Produto Interno Bruto, câmbio e taxa básica de juros (Selic). A única variação apresentada nas expectativas do mercado financeiro foi relativa à inflação oficial do país, que recuou para 4,72%. Há uma semana, as expectativas eram de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, que mede a inflação do país) fecharia o ano em 4,80%. Há quatro semanas, as projeções estavam em 4,83%.
Para os anos subsequentes, as projeções do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se mantêm estáveis há semanas tanto para 2026 (4,28%), como para 2027 (3,9%). O Boletim Focus foi divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central.
A estimativa de inflação para 2025 se mantém acima do teto da meta que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.
Segundo a prévia da inflação oficial do país, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em setembro os preços aumentaram 0,48%. O resultado se deve principalmente à alta no preço da energia elétrica. Com isso, no acumulado de 12 meses (finalizado em setembro), o IPCA chegou a 5,17%, ainda que, no mês anterior, o índice tenha ficado negativo, em -0,14% – o que caracteriza situação de deflação, quando os preços recuam, ficando mais baratos.
A prévia da inflação mostra que os preços dos alimentos caíram pelo quarto mês seguido. Em setembro, o recuo foi 0,35% e impacto de -0,08 p.p. Em agosto, a queda foi 0,53%.
Para alcançar a meta de inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Selic), definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Este é o mesmo percentual projetado pelo Focus há 16 semanas consecutivas.
Para os anos de 2026 e 2027, o Boletim Focus projeta redução dessa taxa para 12,25% e 10,50%, respectivamente.
As incertezas do cenário econômico externo e indicadores que mostram a moderação no crescimento interno estão entre os fatores que levaram à manutenção da Selic. De acordo com o Copom, a taxa de juros atual deverá ser mantida “por período bastante prolongado” para garantir que a meta da inflação seja alcançada.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Estabilidade também com relação às expectativas do mercado financeiro para a economia do país. Segundo o Boletim Focus, pela quinta semana consecutiva espera-se que o Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos no país brasileiro feche o ano de 2025 com um crescimento de 2,16%.
Para 2026, há quatro semanas seguidas o mercado projeta um crescimento econômico de 1,80%. Já para o ano de 2027, as projeções de crescimento caíram de 1,90% para 1,83%, da semana passada para a atual.
O dólar deverá custar R$ 5,43 ao final de 2025, segundo projeta o mercado. Há quatro semanas, as expectativas eram de que a moeda norte-americana estaria sendo comercializada a R$ 5,50.
Para o final de 2026, as expectativas são, pela terceira semana consecutiva, de queda na cotação da moeda dos Estados Unidos. Há quatro semanas, as projeções do mercado estava em R$ 5.60. Já para 2027, as projeções são de que o dólar feche o ano a R$ 5,51.
Dubai, conhecida por sua economia desenvolvida, longas vias e arranha-céus imponentes, deixou de ser apenas um destino turístico de luxo e virou realidade no planejamento financeiro de muitos brasileiros. Nos últimos anos, a cidade passou a atrair um número crescente de estrangeiros interessados em investir no mercado imobiliário internacional. Se antes os Estados Unidos eram vistos como o grande paraíso para esse tipo de aplicação, hoje os olhares se voltam para o refúgio nos Emirados Árabes Unidos.
“Desde a mudança de governo nos EUA, vimos, sim, um aumento na procura por Dubai e isso só tende a crescer. Muitos investidores que antes tinham como foco Miami, Nova York ou Los Angeles passaram a olhar o destino árabe como alternativa certeira. Há anos no mercado, arrisco a afirmar que já noto um crescimento de mais de 30% na demanda”, declara Weverton Araújo, fundador da ROWE Realty, empresa especializada no ramo.
De acordo com o especialista, as vantagens são consideráveis e uma delas tem alicerce na questão financeira. “Enquanto cidades como Nova York e Londres comercializam valores de metro quadrado acima dos USD 6.000, em Dubai a média é de USD 3.900 e isso demonstra seu grande potencial de expansão. Sem falar na modernidade, estrutura e inovação empregados e enaltecidos pela mídia, o tempo todo”, pontua o executivo.
Seguindo a linha de que Dubai é a nova “queridinha dos brasileiros”, o consultor enumerou 5 motivos pelos quais o empresário deve pensar, sim, em optar por investimentos imobiliários na região e de olhos quase fechados.
Segundo Weverton Araújo, a competitividade de Dubai com relação aos EUA aumentou bastante pela forma de se fazer negócio na região. “Dubai é hoje um hub global de investimentos, com processos ágeis, ausência de impostos sobre aluguel e rentabilidade média entre 7% e 10% ao ano. Isso faz com que seja visto como uma alternativa moderna, rentável e segura em comparação a mercados tradicionais como os EUA”, comenta.
Conforme o especialista, a burocracia não tem espaço nos Emirados Árabes. Lá, o governo é pautado pelo planejamento e inovação, o que deve fazer da cidade em alguns anos uma referência global em diferentes setores. “Dubai é uma cidade visionária, em vez de ficar presa à burocracia, ela lança projetos que antecipam tendências, como o Dubai World Central (DWC), que está sendo construído para operar com capacidade de até 220 milhões de passageiros por ano. Assim que estiver pronto, se tornará o maior aeroporto do mundo”.
Dubai é planejada em grandes masterplans urbanos, o que significa que cada região é pensada como um organismo próprio, com infraestrutura, mobilidade e serviços. Weverton confirma que estar em uma localização estratégica pode multiplicar o potencial do imóvel. “Iniciativas como o DWC, somadas ao plano Dubai 2040, mostram que aqui o investidor não compra apenas um imóvel, mas participa de um ecossistema de crescimento planejado e de alcance mundial, algo que dificilmente se encontra em outros mercados internacionais”.
Além das questões políticas nos EUA, a instabilidade financeira no Brasil também fez aumentar a procura por investimentos imobiliários no exterior. “Dubai caiu na graça dos brasileiros porque representa exatamente o que eles procuram hoje: segurança, modernidade e oportunidade real de crescimento. Na prática, isso significa trocar a instabilidade brasileira por um ambiente previsível, com governança séria e projetos visionários. Além disso, há fatores culturais e de estilo de vida: durante o inverno, Dubai tem um clima muito parecido com o Brasil, o que torna a adaptação fácil. Somado a isso, a receptividade com estrangeiros que já cresce aqui cria uma sensação de familiaridade. Por isso, cada vez mais famílias têm escolhido a cidade como destino final”, argumenta Weverton.
Nem todo investimento imobiliário em Dubai tem o mesmo propósito. Há quem busque gerar renda passiva com aluguel e outros miram valorização de longo prazo. Apesar da relação ganha-ganha, o especialista orienta: “Defina seu objetivo antes de comprar e tenha em mente que Dubai é uma cidade muçulmana, mas muito aberta e cosmopolita. O respeito aos costumes é simples: não consumir álcool em público, vestir-se com recato em mesquitas, evitar demonstrações de afeto excessivas em locais públicos e sempre cumprimentar com cordialidade. No dia a dia, essa combinação de tradição e modernidade torna a cidade acolhedora a estrangeiros, sem maiores problemas e com segurança, possibilidades de negócios e muita visibilidade”, finaliza.
O dólar inicia a sessão desta segunda-feira (13) em queda, recuando 0,48% por volta das 09h05, cotado a R$ 5,4782. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
A semana começa com os mercados atentos a novos desdobramentos políticos e econômicos que podem influenciar o cenário global. No Brasil, o foco está nas projeções do Boletim Focus, enquanto nos Estados Unidos, o clima é de tensão com a continuidade do shutdown e declarações de Trump sobre a China.
▶️ No Brasil, o Boletim Focus foi divulgado pelo Banco Central às 8h30. O relatório mostra que a estimativa do mercado para a inflação neste ano caiu de 4,80% para 4,72%. Já as projeções da taxa básica de juros (Selic) e do PIB ficaram estáveis nesta semana, em 15% e 2,16%, respectivamente.
▶️ Nos EUA, o presidente Donald Trump afirmou no domingo que as tensões com a China “ficarão bem”, tentando amenizar o tom após ameaças de tarifas adicionais de 100% sobre importações chinesas. A declaração foi feita dois dias após o anúncio das novas medidas.
▶️ Ainda nos EUA, o 13º dia de paralisação do governo prossegue sem acordo entre democratas e republicanos. Na sexta-feira, a Casa Branca confirmou demissões em massa no funcionalismo público, afetando setores estratégicos.
▶️ Segundo autoridades, os cortes já atingem departamentos como Comércio, Educação, Energia, Segurança Interna, Saúde e Tesouro. Apenas no Departamento do Tesouro, sindicatos informaram que cerca de 1.300 demissões estão sendo preparadas.
💲Dólar
Acumulado da semana: +3,39%;
Acumulado do mês: +3,39%;
Acumulado do ano: -10,95%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -2,44%;
Acumulado do mês: -3,80%;
Acumulado do ano: +16,96%.
Boletim Focus
Os analistas do mercado financeiro reduziram as projeções de inflação para 2025 e mantiveram estáveis as estimativas para o próximo ano. As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central, com base em levantamento realizado com mais de 100 instituições financeiras na última semana.
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu de 4,80% para 4,72% em 2025. Apesar da queda, a taxa segue 0,22 ponto percentual acima do teto da meta, que é de 4,50%. Um mês atrás, a estimativa era de 4,83%.
A expectativa para a taxa básica de juros (Selic) no fim de 2025 permaneceu em 15% pela 16ª semana consecutiva, após o Copom manter os juros nesse patamar em setembro. Para 2024, a projeção segue em 12,25%.
Já a mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 foi mantida em 2,16% pela quinta semana seguida. Para o próximo ano, a estimativa também permaneceu estável, em 1,80%, pela quarta semana consecutiva.
Trump elogia Xi Jinping
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o líder chinês Xi Jinping, chamando-o de “um homem muito forte, muito inteligente” e um grande líder.
A declaração foi feita no domingo (12) a jornalistas a bordo do avião presidencial americano, o Força Aérea Um, durante a viagem de Trump ao Oriente Médio.
"Eu tenho um ótimo relacionamento com o presidente Xi, ele é um homem muito forte, ele é um homem muito inteligente. Ele é um grande líder", disse Trump.
Na sexta-feira (10), o presidente americano anunciou que imporá uma tarifa adicional de 100% contra a China a partir de 1º de novembro, em uma nova ofensiva comercial contra o país asiático.
A decisão veio poucas horas após o republicano criticar a iniciativa chinesa de restringir a exportação de elementos ligados às terras raras, materiais estratégicos para a indústria de tecnologia.
Durante a conversa com jornalistas no voo a Israel, o presidente destacou que as tarifas fortaleceram a economia americana e aumentaram o poder de negociação dos Estados Unidos.
“Estamos recebendo centenas de bilhões de dólares, não apenas da China, de outros países. Nos tornamos um país rico novamente, e as tarifas nos deram força diplomática, força de negociação. Acho que vamos ficar bem com a China”, disse Trump.
Nesta segunda-feira, Trump chegou a Israel enquanto a entrega dos reféns ocorria com intermédio da Cruz Vermelha. Neste momento, todos os 20 homens foram libertados. Israel também já libertou os 2 mil prisioneiros palestinos que estavam detidos.
O presidente dos EUA exaltou a libertação dos reféns como 'um triunfo incrível para Israel e para o mundo' e falou sobre o futuro da Faixa de Gaza no pós-guerra, ao dizer que quer ser um parceiro nos esforços para a reconstrução do território palestino, que terá o apoio de países árabes.
EUA em paralisação pelo 10º dia
A paralisação do governo dos Estados Unidos chegou ao décimo terceiro dia nesta segunda-feira (13), após o Senado não conseguir aprovar um acordo na véspera. A proposta apresentada pelos republicanos para financiar o governo até 21 de novembro foi rejeitada, mantendo o impasse.
A votação terminou com 54 votos a favor e 45 contra, abaixo dos 60 necessários para superar a obstrução dos democratas, que seguem exigindo mudanças na política de saúde como condição para aprovar qualquer medida orçamentária.
O presidente Donald Trump reforçou as ameaças de cortar o que chamou de "programas democratas" caso a paralisação se prolongue.
"Vamos cortar alguns programas democratas muito populares que, francamente, não são populares entre os republicanos, porque é assim que funciona", afirmou. "Eles quiseram fazer isso, então vamos dar a eles um gostinho do próprio veneno."
Trump deve viajar ao Oriente Médio no domingo para participar da cerimônia de assinatura de um acordo de paz entre Israel e o Hamas. Ainda não está claro quanto tempo ele permanecerá na região.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados americanos despencaram sexta-feira, após o presidente Donald Trump ameaçar um aumento expressivo nas tarifas sobre produtos chineses, reacendendo preocupações sobre uma nova guerra comercial.
A reação dos investidores interrompe uma semana que vinha sendo marcada por maior otimismo com a política monetária do país.
O índice Dow Jones recou 1,90% nesta sexta, aos 45.479,60 pontos. O S&P 500 recuou 2,71%, aos 6.552,50 pontos, enquanto o Nasdaq Composite teve queda de 3,56%, aos 22.204,43 pontos. O S&P e o Nasdaq sofreram suas maiores quedas percentuais em um único dia desde 10 de abril.
Os mercados europeus encerraram a semana em queda, pressionados pelas novas ameaças de Donald Trump à China. Por lá, os investidores também acompanharam a situação política na França, onde o impasse na escolha de um novo primeiro-ministro gerou preocupações sobre o impacto no crescimento econômico.
O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 1,25%, fechando a 564,16 pontos, na pior baixa intradiária em mais de um mês. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,86%, a 9.427,47 pontos. Em Frankfurt, o DAX perdeu 1,50%, a 24.241,46 pontos. Em Paris, o CAC 40 caiu 1,53%, a 7.918,00 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB teve queda de 1,74%, a 42.047,50 pontos. Em Madri, o IBEX 35 recuou 0,69%, a 15.476,50 pontos, e em Lisboa, o PSI20 caiu 0,73%, a 8.169,87 pontos.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia em queda, influenciados por tensões políticas e decisões comerciais que afetaram o clima entre os investidores. Na China, houve realização de lucros após o índice de Xangai atingir seu maior nível em dez anos.
No fechamento, os principais índices da região registraram quedas: em Xangai, o índice SSEC caiu 0,94%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, recuou 1,97%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,73%, marcando sua quinta queda consecutiva.
Em Tóquio, o Nikkei caiu 1,01%. Já em Seul, o KOSPI subiu 1,73%. Em Cingapura, o Straits Times teve baixa de 0,24%, e em Sydney, o S&P/ASX 200 recuou 0,13%. O mercado de Taiwan permaneceu fechado.
*Com informações da agência de notícias Reuters.

O dólar teve forte valorização nesta sexta-feira (10) e encerrou o pregão em alta de 2,39%, cotado a R$ 5,5037, o maior nível de fechamento em mais de dois meses. O movimento refletiu uma combinação de tensões políticas e fiscais no Brasil com nova rodada de atritos comerciais entre Estados Unidos e China, que elevou a aversão ao risco entre investidores. No mercado doméstico, a divulgação do novo modelo de crédito imobiliário e as recentes ações do governo federal para alavancar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentaram a percepção de risco fiscal.
As medidas do governo incluem a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, subsídios de energia e gás e expansão de programas sociais. A avaliação predominante no mercado é que as medidas têm caráter populista e podem comprometer a meta fiscal do próximo ano, especialmente após a derrota da Medida Provisória que elevava o IOF no Congresso.
O real teve o pior desempenho entre moedas emergentes, pressionado também pela queda de cerca de 4% no preço do petróleo, após o cessar-fogo entre Israel e Hamas. No exterior, o clima piorou após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que avalia um “grande aumento” das tarifas sobre produtos chineses. Segundo ele, a medida seria uma resposta à decisão de Pequim de impor controles sobre exportações de terras-raras. A retórica reforçou o temor de uma nova guerra comercial, levando investidores a buscar refúgio em ativos considerados seguros, como ouro e títulos do Tesouro americano. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, recuou 0,5%, mas a divisa americana ganhou força frente ao real.
A Bolsa de Valores (B3) acompanhou o movimento global de cautela e fechou em queda de 0,73%, aos 140.680 pontos, no menor patamar desde o início de setembro. Foi a terceira semana consecutiva de perdas, com recuo acumulado de 2,44%. Entre as maiores baixas do dia estiveram CSN (-6,06%), Hapvida (-6,02%) e Braskem (-3,83%). No lado positivo, Engie (+1,45%) e Suzano (+1,05%) resistiram à queda generalizada.
O INSS decidiu nesta sexta-feira (10) não renovar o acordo de cooperação técnica que permitia ao Banco Master oferecer crédito consignado a aposentados e pensionistas. A decisão é de caráter preventivo e foi tomada em função do “volume expressivo de reclamações” contra o banco. Segundo nota divulgada pelo Governo Federal, a suspensão é baseada em análise técnica e jurídica, e permanecerá válida “até a conclusão das apurações em andamento”.
As reclamações que motivaram a medida incluem relatos de cobranças indevidas, dificuldade de cancelamento e operações não reconhecidas por aposentados e pensionistas. O INSS aponta indícios de que o banco não estaria seguindo parâmetros normativos que exigem autorização expressa e autenticação biométrica, guarda adequada de documentos e responsabilidade da instituição pela atuação de seus correspondentes bancários.
A suspensão ocorre em um momento de intensa fiscalização no setor, com o Congresso Nacional empenhado em uma CPMI para investigar descontos indevidos nos benefícios do INSS. Além disso, o Banco Master teve sua tentativa de compra do BRB, um banco público do Distrito Federal, negada recentemente pelo Banco Central.
*Com informações de André Anelli
A Câmara dos Deputados derrubou a Medida Provisória 1303/2025, que propunha o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), configurando uma derrota para o governo federal. A MP caducou a partir desta quinta-feira (9). O setor produtivo e de serviços manifestou apoio à decisão. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão da Câmara. Com a perda da validade, o aumento de alíquotas deixa de vigorar e não haverá elevações tributárias previstas na MP. Para a CNI, a decisão é correta, uma vez que esse aumento de carga tributária elevaria os preços dos produtos e serviços para toda a sociedade.
“A Câmara dos Deputados evitou mais um aumento de carga tributária, deixando o setor produtivo menos sobrecarregado para contribuir para o crescimento do país. Entendemos que os parlamentares agiram com responsabilidade, pois as compensações ao IOF afetariam toda a sociedade e atingiria diretamente o consumidor brasileiro”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Alban destaca que a atividade produtiva é sufocada, constantemente, por incrementos da carga tributária e da taxa de juros. Recentemente, todo e qualquer ajuste fiscal é só sobre aumento de carga, independentemente de a receita estar subindo pelo crescimento da economia. “Este seria mais um duro golpe no setor produtivo, enquanto as bets, por outro lado, seriam poupadas”, avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban.
*Com informações de Marcelo Mattos
A quantidade de veículos automotores novos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) vendida em setembro de 2025 no Brasil foi de 243,2 mil unidades, 2,9% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (8), são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A produção de veículos automotores também cresceu, atingiu 243,4 mil unidades em setembro, 5,8% superior ao registrado em setembro de 2024. As exportações totalizaram 52,5 mil unidades, um salto de 26,2% sobre o mesmo mês do ano passado.
Já as importações, chegaram a 42,4 mil unidades, 0,4% abaixo do registrado em setembro de 2024. A participação das vendas dos importados caiu no nono mês do ano: 18,1% em junho; 18,6%, em julho; 17,6% em agosto; e 17,4%, em setembro.
No acumulado do ano, de janeiro a setembro, as vendas de veículos automotores foi de 1,91 milhão de unidades, 2,8% superior ao mesmo período de 2024. A produção teve alta de 6% (1,98 milhão no acumulado de 2025 ante 1,87 milhão no de 2024).
As exportações registraram um salto de 51,6% (430,8 mil em 2025 ante 284,2 mil em 2024) e as importações subiram 10,4% (355,6 mil em 2025 ante 322,1 em 2024).
*Com informações de Marcelo Mattos e Agência Brasil
Com influência da alta da conta de luz, a inflação oficial de setembro ficou em 0,48%, invertendo o comportamento de agosto, quando caiu 0,11%. Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 5,17%, acima da meta do governo, que vai a 4,5% no máximo. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado de setembro é o maior desde março (0,56%).
O grupo habitação exerceu a maior pressão nos preços, subindo 2,97% – representando impacto de 0,45 ponto percentual (p.p.) no IPCA do mês. Dentro do grupo, o subitem energia elétrica residencial, que havia variado -4,21% em agosto, subiu 10,31% em setembro, registrando o maior impacto individual (0,41 p.p.) na inflação. Considerando apenas os meses de setembro, é a maior expansão da habitação desde 1995, quando subiu 4,51%.
A alta da conta de luz é explicada pela “devolução” do Bônus Itaipu, desconto na conta de agosto que beneficiou 80,8 milhões de consumidores. Em setembro, sem o bônus, a fatura fica mais alta na comparação com o mês anterior. Além do fim do bônus, a conta de luz sofre influência da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adicionou R$ 7,87 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos.
A cobrança extra é determinada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para custear usinas termelétricas em tempos de baixa nos reservatórios das hidrelétricas. O adicional é necessário, pois a energia gerada pelas termelétricas é mais cara que a hidrelétrica.
De acordo com o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, se o subitem energia elétrica fosse retirado do cálculo em setembro, a inflação do mês seria de 0,08%.
Para outubro, a Aneel determinou a volta da bandeira vermelha patamar 1 (adicional de R$ 4,46), o que tenderia a fazer cair a inflação da conta de luz. Mas Gonçalves pondera que é preciso avaliar o impacto que pode ser causado por concessionárias que costumam reajustar tarifas em outubro, como as de São Paulo, Goiânia e Brasília. Em 12 meses, a conta de luz sobe 10,64%.
Apesar de o IPCA ter retomado o campo positivo em setembro, o grupo alimentos e bebidas manteve a trajetória de queda e apresentou o quarto mês seguido de recuo nos preços (-0,26%). Os destaques foram:
– Tomate: -11,52%
– Cebola: -10,16%
– Alho: -8,70%
– Batata-inglesa: -8,55%
– Arroz: -2,14%
Nos quatro meses de queda, o grupo alimentação e bebidas recua 1,17%. No ano, enquanto o IPCA sobe 3,64%, os alimentos tiveram expansão média nos preços de 2,67%. “É questão de oferta de alimentos. Uma oferta maior”, justifica o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, três tiveram deflação (queda média de preços) no mês:
– Habitação: 2,97% (0,45 p.p.)
– Vestuário: 0,63% (0,03 p.p.)
– Despesas pessoais: 0,51% (0,05 p.p.)
– Saúde e cuidados pessoais: 0,17% (0,02 p.p.)
– Educação: 0,07% (0,01 p.p.)
– Transportes: 0,01% (0 p.p.)
– Comunicação: -0,17% (−0,01 p.p.)
– Artigos de residência: -0,40% (−0,01 p.p.)
– Alimentação e bebidas: -0,26% (−0,06 p.p.)
O índice de difusão, utilizado para medir o espalhamento da inflação, caiu de 57% em agosto para 52% em setembro. Ou seja, pouco mais da metade dos preços dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo instituto apresentam aumento no mês passado.
O IBGE analisa também a inflação por dois grupos: serviços e monitorados. O do serviço, que funciona como um termômetro da procura por bens e serviços na economia, ficou em 0,13%. Já os monitorados, controlados do governo, como conta de luz, transporte, plano de saúde, telefonia e combustíveis, ficou em 1,87%.
Segundo Gonçalves, a inflação de serviços é mais resistente. “Depende muito dos salários”, diz ele, lembrando que o país vivencia recordes de ocupação e rendimento de trabalhadores.
O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos.
A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou números que evidenciam o agravamento da situação financeira das famílias brasileiras. Em setembro de 2025, a proporção de famílias com contas em atraso, ou seja, em situação de inadimplência, atingiu 30,5%, marcando o maior patamar de toda a série histórica iniciada em 2010.
O cenário de aperto financeiro é reforçado pelo aumento contínuo do endividamento geral. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC mostrou que a proporção de famílias com dívidas a vencer subiu para 79,2% em setembro de 2025.
Os dados demonstram que as famílias estão comprometendo uma parcela significativa de seus ganhos para honrar os pagamentos. Em setembro, 18,8% dos consumidores tinham mais da metade de seus rendimentos comprometidos com o pagamento de dívidas.
Diante da manutenção das taxas de juros em patamares elevados, a CNC projeta que o quadro de endividamento e inadimplência deve se agravar. A estimativa é de que o ano de 2025 se encerre com um aumento de 3,3 pontos percentuais no endividamento e de 1,7 ponto percentual na inadimplência em relação aos níveis registrados no final de 2024.
*Com informações de Julia Fermino
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado na última segunda-feira (6), aponta que o Brasil tem a chance de conseguir isenção de tarifas para US$ 7,8 bilhões em exportações destinadas aos Estados Unidos. A expectativa é resultado do otimismo após um telefonema de 30 minutos entre Lula e Donald Trump, que também manifestou a possibilidade de revisões nas redes sociais. A CNI identificou 1.908 produtos brasileiros que poderiam ser incluídos em uma lista de exceção, escapando assim do tarifaço, que elevou as alíquotas para cerca de 50%. A expectativa é que as taxas retornem ao patamar de 10% ou pouco mais.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou o efeito da pressão de empresários de ambos os países para o restabelecimento das taxas anteriores. As exportações brasileiras para os EUA registraram uma queda de 20% no último mês, evidenciando o impacto da sobretaxa. A normalização das relações comerciais é vista como crucial, dado o histórico de 200 anos de parceria.
“Para a indústria, é muito relevante esse avanço das tratativas. Desde o início, nós defendemos o diálogo, pautado pelo respeito e pela significância desta parceria bicentenária. Vamos acompanhar e contribuir com o que for possível”, afirmou Alban.
*Com informações de Marcelo Mattos
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mencionou nesta segunda-feira (6) que a valorização do real nos últimos meses é uma das explicações para ter havido uma desinflação mais evidente nos bens do que nos serviços. Segundo Galípolo, parte desse movimento do câmbio decorre da desvalorização global do dólar, mas que, mesmo assim, é preciso reconhecer que o real tem desempenhado melhor do que alguns de seus pares.
“O México, por exemplo, não sofreu uma desvalorização aguda da sua moeda como a gente sofreu no último trimestre do ano passado E, neste ano, o real vem desempenhando melhor do que os seus pares, na média. Então, essa apreciação cambial explica o porquê que a gente está vendo uma desinflação mais rápida em bens e uma desinflação ainda bastante lenta em serviços”, explicou o presidente do BC, que participou nesta segunda-feira de evento da Fundação FHC, em São Paulo.
Ao comentar o cenário econômico do País, Galípolo também fez menção ao índice conhecido como “índice de mal-estar”, que soma o nível de desemprego e o nível de inflação – e que deve encerrar 2025 no melhor nível da série histórica, ou seja, indicando uma sensação de bem-estar muito grande, dada as taxas de desemprego muito baixas e a expectativa de inflação para o final do ano abaixo de 5%.
O presidente do Banco Central disse ainda que, dado o nível restritivo dos juros, tem a expectativa de que as concessões de crédito desacelerem no País. “A gente espera que o crédito, como um mecanismo de transmissão por excelência da política monetária, passe a apresentar uma desaceleração, é isso que é esperado com a elevação da taxa de juros”, frisou. Ele destacou, porém, que o segmento mais forte em que é possível ver desaceleração no crédito está relacionado a uma mudança regulatória para beneficiários do INSS, que passaram a ter que fazer cadastro de biometria para a concessão de empréstimos. “A gente vê ainda um ponto de inflexão no crédito, mas absolutamente esperado dada a política monetária, Mas aquela queda maior precisa ser analisada à luz das mudanças regulatórias”, ressaltou.
Ainda sobre crédito, Galípolo disse que, na concessão a pessoas jurídicas, há uma queda acentuada nas operações do chamado “risco-sacado” que, segundo ele, sofreu queda de 15% no trimestre encerrado em julho. “Aparentemente dialogando um pouco com o que aconteceu com a questão da tributação do IOF“, detalhou.
Em relação à atividade econômica como um todo, Galípolo acrescentou que o quadro geral é de uma economia bastante resiliente, com alguns sinais de acomodação. Ele citou, por exemplo, que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) mantém-se praticamente estável desde o terceiro trimestre de 2024, se for descontado do cálculo o fator pontual de uma importação de plataforma de petróleo, ocorrida no início deste ano. “É importante analisar esses indicadores para poder fazer uma comparação, e entender o que é ruído e o que é tendência”, disse. Nesse contexto, Galípolo disse que o que se espera à frente é a suavização do crescimento econômico.
