
O consumo de energético se tornou comum entre jovens e adultos que buscam mais disposição para estudar, trabalhar ou sair à noite. No entanto, especialistas alertam que ingerir esse tipo de bebida todos os dias pode trazer riscos ao sistema cardiovascular, especialmente quando o consumo é frequente ou em grandes quantidades.
De acordo com a cardiologista Déborah Fernandes, que atende na Clínica Maxicor, o principal problema está no efeito estimulante dessas bebidas no organismo. “Os energéticos podem aumentar a pressão arterial, acelerar os batimentos cardíacos e sobrecarregar o sistema cardiovascular. Em longo prazo, isso pode elevar o risco de complicações, principalmente em pessoas mais sensíveis”, explica.
Grande parte do efeito estimulante do energético está relacionada à cafeína, mas essa não é a única substância presente nas bebidas. Muitos produtos também contêm taurina, guaraná e altas quantidades de açúcar.
Déborah Fernandes reforça que o risco aumenta justamente pela combinação desses ingredientes.
“O energético não é uma bebida inocente. Ele pode ser um gatilho para alterações cardiovasculares importantes, especialmente quando usado de forma frequente ou sem orientação”, afirma.
O cardiologista Felix Ramires, do Hospital Samaritano Paulista, explica que uma única lata de energético pode conter uma dose significativa de cafeína.
“Uma latinha pode equivaler a cerca de quatro cafés expressos. Se a pessoa consome duas latas em pouco tempo, é como ingerir oito cafés em um intervalo curto”, afirma.
Essa carga estimulante aumenta o chamado tônus adrenérgico do organismo, mecanismo ligado à liberação de adrenalina, que acelera os batimentos cardíacos e eleva a pressão arterial.
Sim. Em algumas pessoas, o consumo frequente de energético pode provocar palpitações ou até desencadear arritmias.
Segundo Ramires, isso acontece porque os estimulantes presentes na bebida aumentam a frequência cardíaca e podem alterar o ritmo do coração, principalmente em pessoas que já têm predisposição ou doenças cardiovasculares.
Além disso, estudos já apontaram alterações elétricas no coração após o consumo dessas bebidas, inclusive em indivíduos considerados saudáveis.
Nem todo mundo reage da mesma forma ao energético, mas alguns grupos precisam ter cuidado redobrado ou evitar totalmente a bebida.
Entre eles estão pessoas com:
Ramires também alerta para possíveis interações com medicamentos, como alguns antidepressivos e estimulantes.
Outro ponto de atenção é a combinação de energético com bebidas alcoólicas, comum em festas e baladas.
Os especialistas dizem que o energético mascara o efeito sedativo do álcool, fazendo a pessoa beber mais do que percebe. Enquanto isso, o álcool pode ser tóxico para o coração e aumentar o risco de arritmias.
Alguns sintomas podem indicar que o energético está causando impacto no sistema cardiovascular. Os principais são:
Caso esses sinais apareçam após o consumo, a orientação é interromper a bebida e procurar avaliação médica.
Os efeitos dos energéticos têm início entre 15 e 30 minutos após o consumo e podem durar de quatro a seis horas no organismo. Em alguns casos, alterações no ritmo cardíaco podem persistir por mais tempo.
Especialistas reforçam que o consumo ocasional pode ser tolerado por adultos saudáveis, mas o uso diário e sem controle aumenta os riscos para o coração.
