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Canabidiol pode reduzir danos cerebrais do Alzheimer, sugere estudo

Pesquisadores identificaram como o canabidiol (CBD), pode ajudar a proteger o cérebro contra danos associados à doença de Alzheimer. Experimentos realizados com camundongos mostraram que o composto foi capaz de reduzir o acúmulo de proteínas tóxicas, restaurar conexões entre neurônios e melhorar a memória dos animais.

O estudo conduzido por cientistas da Universidade de Shenzhen, da Academia Chinesa de Ciências e de outras instituições, foi publicado em 19 de março na revista Molecular Psychiatry.

O Alzheimer é caracterizada pela perda progressiva de memória e outras funções cognitivas. O processo está ligado ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, principalmente tau e beta-amiloide, que desencadeiam inflamação e degeneração das células nervosas.

Segundo os pesquisadores, o CBD tem chamado atenção porque é um composto da planta Cannabis sativa que não provoca os efeitos psicoativos associados ao Δ9-tetrahidrocanabinol (THC), tornando-o um candidato mais seguro para estudos clínicos.

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

Como o canabidiol atua no cérebro

Para investigar os efeitos do composto, os cientistas utilizaram camundongos geneticamente modificados para desenvolver alterações semelhantes às observadas no Alzheimer, incluindo perda de memória e mudanças comportamentais.

Os animais receberam doses de CBD seis vezes por semana durante 45 dias. Ao final do período, os pesquisadores observaram melhora no desempenho em testes de memória e redução de comportamentos associados à ansiedade.

Análises do cérebro desses animais também indicaram recuperação de estruturas importantes para a comunicação entre os neurônios. As sinapses, que são os pontos de contato entre as células nervosas, apresentaram sinais de restauração após o tratamento.

Os cientistas também investigaram o mecanismo molecular por trás desses efeitos. Eles descobriram que o CBD interage com uma proteína chamada FRS2 e ajuda a ativar uma via de sinalização importante para a sobrevivência e a plasticidade dos neurônios.

“Descobrimos que o CBD não substitui o fator de crescimento BDNF, mas fortalece o sistema de sinalização que ele utiliza”, explicou o pesquisador Xiubo Du, autor sênior do estudo.

Quando os cientistas bloquearam a produção da proteína FRS2 nos animais, o CBD perdeu grande parte de sua eficácia. Nesse cenário, o composto deixou de reduzir o acúmulo de proteínas nocivas e também não conseguiu proteger as conexões entre neurônios.

Os autores destacam que os resultados ajudam a esclarecer como o canabidiol pode atuar no cérebro e indicam novas estratégias para o desenvolvimento de medicamentos. Ainda assim, ressaltam que as conclusões se baseiam em experimentos com animais e que mais pesquisas serão necessárias antes de avaliar o potencial do composto em humanos.

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