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Por: 
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Bactéria da gengiva pode favorecer câncer de mama, diz estudo

Um estudo publicado em 15 de janeiro de 2026, na revista científica Cell Communication and Signaling, identificou uma possível ligação entre uma bactéria comum da boca e o câncer de mama. A pesquisa foi liderada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores analisaram a Fusobacterium nucleatum, uma bactéria frequentemente associada a inflamações na gengiva, e observaram que ela pode influenciar o comportamento de células tumorais.

Diferentemente do que muita gente imagina, essa bactéria não se limita à cavidade oral. Em casos de inflamação gengival, ela pode entrar na corrente sanguínea e alcançar outras partes do corpo, incluindo o tecido mamário. Nos experimentos, os cientistas observaram que a Fusobacterium nucleatum pode:

  • Alcançar o tecido mamário e interagir com células tumorais;
  • Estimular processos inflamatórios que favorecem o câncer;
  • Causar danos ao DNA das células, aumentando o risco de mutações;
  • Facilitar o crescimento e a disseminação do tumor (metástase).

Na prática, os resultados indicam que a bactéria pode atuar como um fator que favorece a progressão do câncer, criando um ambiente mais propício para o desenvolvimento tumoral — mas não como causa única da doença. Os efeitos foram mais evidentes em células com mutações no gene BRCA1, já associado a maior risco de câncer de mama.

Ligação com a saúde bucal

A Fusobacterium nucleatum está ligada à doença periodontal, uma inflamação crônica da gengiva que pode causar sangramento, dor e até perda de dentes.

O estudo reforça a hipótese de que problemas na boca podem ter impacto em outras partes do corpo. Ou seja, a saúde bucal não é isolada — ela faz parte do equilíbrio geral do organismo.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados cedo, apresentam bom prognóstico

Os principais sinais da doença são o aparecimento de caroços ou nódulos endurecidos e geralmente indolores. Além desses, alteração na característica da pele ou do bico dos seios, saída espontânea de líquido de um dos mamilos, nódulos no pescoço ou na região das axilas e pele da mama vermelha ou parecida com casca de laranja são outros sintomas
O famoso autoexame é extremamente importante na identificação precoce da doença. No entanto, para fazê-lo corretamente é importante realizar a avaliação em três momentos diferentes: em frente ao espelho, em pé e deitada

O que o estudo significa na prática

Apesar dos achados chamarem a atenção, os próprios pesquisadores destacam que os resultados ainda são baseados em modelos experimentais, como análises em laboratório. Isso significa que ainda não é possível afirmar que a bactéria cause câncer de mama diretamente em humanos.

O que o estudo mostra é uma associação biológica que ajuda a entender melhor como microrganismos podem influenciar o comportamento de tumores. Na prática, os achados reforçam a importância da saúde bucal, o papel do microbioma na saúde geral e a necessidade de mais estudos em humanos.

Os cientistas agora buscam entender se controlar a presença da Fusobacterium nucleatum pode ajudar a reduzir riscos ou até contribuir com o tratamento do câncer de mama.

Se isso for confirmado, no futuro, cuidados simples — como tratar inflamações na gengiva — podem ganhar ainda mais relevância na prevenção de doenças mais graves.

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