
A Crefisa está na mira do Ministério Público Federal (MPF). O motivo: irregularidades na portabilidade de contas usadas para pagamentos de benefícios previdenciários. Na prática, dificuldade ou impedimento no recebimento do benefício, registro de atrasos, recusas de pagamento e limitações de saque, além de suposta coação para abertura de conta corrente e venda casada de produtos.
Os problemas começaram em agosto de 2025, quando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidiu suspender o contrato com a Crefisa, que vendeu 25 dos 26 lotes disponíveis para o pagamento de novos beneficiários do órgão, justamente por conta da enxurrada de queixas.
“O INSS não compactua com práticas que acarretem prejuízos ou desconfortos aos beneficiários, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade social”, afirmou o INSS ao comunicar a suspensão do contrato.
O episódio chamou a atenção do MPF, que deu início, à época, a um procedimento preparatório que deu origem ao inquérito aberto este ano. Recentemente, os investigadores determinaram diligências à Crefisa, ao INSS e ao Banco Central (BC).
“Diante das informações apresentadas pelo Banco Crefisa S.A., Instituto Nacional do Seguro Social e Banco Central do Brasil, oficie-se ao INSS, solicitando-lhe que informe se todas as portabilidades requeridas pelos beneficiários antes da suspensão do contrato com a Crefisa, que ainda estavam pendentes por ato da instituição financeira, foram realizadas”, pediu o MPF.
O MPF também intimou as partes para que “apresente cópia do contrato firmado entre o INSS e as instituições financeiras decorrente do Pregão Eletrônico nº 39/2024 e encaminhe cópia do processo administrativo interno instaurado em face da Crefisa para apurar o descumprimento contratual e aplicar sanções previstas no contrato e no regulamento do Pregão Eletrônico”.
O avanço das investigações acendeu um alerta no mercado, mexido com a liquidação do Banco Master e de instituições financeiras ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
