Número de transplantes cai 37% durante pandemia no Brasil

Número de transplantes cai 37% durante pandemia no Brasil

O governo lançou a campanha anual para estimular a doação de órgãos, que caiu muito durante a pandemia.

A vida pode recomeçar em cada ato de doação de órgãos. Foi depois de um transplante de rim, feito há 35 anos, que Bernadete redescobriu pequenos prazeres como beber água à vontade.

“Depois do transplante é uma vida nova. Você tem energia para fazer as coisas, tanto que eu estudei, me formei, trabalhei”, conta Bernadete de Moraes e Silva, assistente social aposentada.

Em março, Bernadete descobriu que vai precisar um novo rim e, agora também, de um transplante de fígado. A espera de quem aguarda por um transplante é grande: mais de 46 mil brasileiros estão na fila.

Em 2020, com a pandemia, o número de transplantes despencou. De janeiro a julho de 2019, foram mais de 15 mil. No mesmo período de 2020, a queda foi de 37%.

Uma situação dramática, diz o doutor Luiz Carneiro D?Albuquerque, que faz transplantes há 30 anos. Hoje, ele é diretor da unidade de transplantes do aparelho digestivo do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“Houve uma diminuição no número de doadores porque também os hospitais passaram prioritariamente a receber pacientes com Covid, e as pessoas tinham medo também de se contaminar ao receber um órgão ou no hospital. Alguns estados do Nordeste, a doação chegou a zero e outros caiu 40%, 50%, e outros em nível menor”, explica.

Para incentivar a doação, o Ministério da Saúde lançou nesta quinta a campanha “Doe órgãos, a vida precisa continuar”.

“Nós somos o maior serviço público do mundo em número de transplantes. Em número de doadores, nós estamos muito distantes no nosso índice de doação. O da Espanha, por exemplo, é de 56 doadores por milhão. O do Brasil é de 19”, conta o médico Luiz Carneiro D?Albuquerque.

Para ser doador de órgãos, é extremamente importante avisar a família e deixar claro esse desejo. Isso porque a doação após a morte só acontece se houver autorização dos parentes. O órgão é retirado depois que a morte encefálica é confirmada. Começa aí uma corrida contra o tempo para salvar outras vidas.

Cada pessoa pode doar até 16 órgãos e tecidos, como rins, coração, pulmão, fígado, ossos, córneas, intestino, vasos sanguíneos e medula.

“Eu diria que a gente precisa pensar no amor que a gente conviveu com aquela pessoa e que aquilo vai continuar. Esse amor continua e também pode continuar os órgãos dando vida para uma outra pessoa”, destaca Bernadete.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é domingo, 27 de setembro.


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