Alagoanas com nota “mil” na redação do Enem contam como o Ifal contribuiu

Alagoanas com nota “mil” na redação do Enem contam como o Ifal contribuiu

Uma nota máxima e, de repente, as estudantes Aldillany Maria Rodrigues da Silva, 20, e Nathalia Vital Silva, 24, ficaram conhecidas em todo o estado. Elas são as únicas alagoanas que conseguiram “mil” na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplicado em 2019. Em todo o Brasil, somente 53 candidatos alcançaram tal mérito. E, em comum, as alagoanas possuem no currículo um curso técnico integrado ao ensino médio do Instituto Federal de Alagoas (Ifal).
Nathalia Vital concluiu o curso técnico em Informática pelo Campus Palmeira dos Índios, em 2015. Já Aldillany se formou em 2016 em Eletroeletrônica, no Campus Arapiraca. Desde então, as duas tentam ingressar no concorrido curso de Medicina. E, nessa jornada, veio a primeira nota máxima no Enem. “Estudar no Ifal foi, com certeza, essencial para os desempenhos que eu tenho tido. Além da formação do ensino médio e técnico, houve a formação humana também porque a maioria dos professores incentivavam esse lado mais humano da gente”, conta Aldillany.
Durante o tempo de formação no Ifal, ela se envolveu com um projeto de Extensão na área de lixo eletrônico e se dedicou bastante às aulas. Desde 2016, a estudante tem feito a prova do Enem. Durante essa trajetória, ela conseguiu aprovações em: Direito, Odontologia, chegando a conquistar 980 na redação do Enem e, nos últimos dois anos, conseguiu a nota máxima na prova de redação da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, a Uncisal. “Só não tinha conseguido ainda, que espero que dê certo este ano, ingressar em Medicina”.
Filha de uma costureira e de um mecânico, Nathalia ingressou no Ifal Palmeira em 2012, quando teve aulas de Português e Redação com as professoras, Maria José Batista e Andrea Carla Jacinto. “Todos os professores que tive no campus me ensinaram muito. Em especial elas que introduziram as minhas tentativas de escrever uma redação. Foi no Ifal que fiz as primeiras e aprendi dicas que uso até hoje”, disse.
Segundo Aldillany, a trajetória foi importante para acumular conhecimento. “Tudo que você aprende vai ficando guardadinho e sempre soma. Do Ifal, eu lembro da professora Sandra Cavalcante, que estava dando aula de Redação no último ano. Todos os ensinamentos são firmados e guardados. É o somatório desse tempo de estudo, desde o Ifal, ao cursinho, tudo contribui para o alcance do êxito”, explicou Aldillany.
No último ano, Aldillany se dedicou a um cursinho à noite e organizou a rotina pela manhã e à tarde para estudar em casa. “Eu definia os horários para cada disciplina, organizava de acordo com o que eu tinha mais dificuldade, para deixar um horário maior, e minha rotina de estudos era essa, estudar em casa, respondendo questões, ver o que eu tinha dificuldades para focar mais”. Em relação à redação, ela conta que fazia um tema de redação por semana, corrigindo com a ajuda de professores do cursinho e ficando atenta para não cometer os mesmos erros.
Já Nathalia relata que logo após o término do curso técnico no Ifal, começou a se preparar para os vestibulares e Enem. Foram três anos estudando sozinha, em casa, fazendo apenas uma matéria isolada de Matemática em Arapiraca. “No ano passado, consegui uma bolsa em um cursinho, passando a ter o apoio dos professores de lá. Estudo o dia inteiro, não determino horas específicas. Aos domingos eu sempre tentei descansar. Em especial, para a redação, tinha um caderno de temas, no qual eu dedicava para pesquisas e preparação das teses e possíveis repertórios. Acho que o diferencial é a prática contínua. Além disso, desde 2018 comecei a estudar mais filosofia e notei uma diferença muito grande na forma que escrevo. Fiquei mais crítica e reflexiva”, ressaltou.
Tema da redação surpreendeu, mas agradou
Nesse último Enem, a redação teve como tema “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, um tema específico, mas Aldillany conta que foi para a prova confiante. “Eu comecei com a Constituição Federal que diz que, em tese, o acesso ao lazer deve ser para todos e o cinema está incluso. Então eu falei também na Escola de Frankfurt, inclusive os professores de Sociologia do Ifal falavam muito sobre isso, que a cultura está sendo mercantilizada, virou um produto para se vender e não deveria ser assim, deveria ser algo para ampliar o conhecimento para todos”.
Nathalia lembra que no dia da prova ficou surpresa ao conferir o tema da redação. “Não esperava algo sobre arte e cultura. Na introdução, eu falei que a consolidação do capitalismo, ocorrida ao final da Guerra Fria, ajudou o cinema a se transformar em um dos principais meios de acesso à cultura, mas que, apesar disso, o Brasil enfrenta desafios para fazer valer esse fato, uma vez que há uma negligência escolar em incentivar o apreço por filmes”, justificou.
Os estudos da Filosofia também foram de grande valia para ela que citou Aristóteles e falou de regiões mais pobres com quase nenhum acesso à sétima arte. “O estímulo para ir ao cinema é baixo e as pessoas não o valorizam como meio de acesso à cultura. Utilizei a ideia de Aristóteles, de que o desenvolvimento de virtudes e aptidões se dão por meio de uma educação eficiente. Mencionei o filósofo Jurgen Habermas, o qual fala que incluir e amparar toda a população é fundamental para um convívio social justo e harmônico. Dessa forma, a democratização do acesso ao cinema será possível se houver essa inclusão de toda sociedade”, explanou Nathalia.
Desistir jamais!
Para quem vai prestar o próximo Enem ou não teve uma nota muito boa nessa edição, Aldillany dá um recado: “Tudo é possível quando você busca com dedicação, com persistência, com resiliência. Com disciplina e esforço você conquista tudo o que você quiser. Apesar da luta muitas vezes ser grande, os resultados são maiores, vale a pena ficar estudando e lutando pelo que você deseja”.
O lema de Nathalia é: nunca desistir dos seus sonhos. “Obter êxito em qualquer área da nossa vida é somente uma questão de não desistir! Acredito que todos somos capazes de alcançar o que quisermos. Todo mundo é dotado de alguma inteligência. Para mim, nunca foi suficiente só a inteligência, mas também o esforço e a persistência. Os nossos sonhos são o que nos move, então não tem como desistir deles.”, conclui.


Deixe um comentario