Polícia tem 30 mil inquéritos parados em Alagoas

Polícia tem 30 mil inquéritos parados em Alagoas

Delegados, agentes, escrivães e entidades como Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) estimam que cerca de 30 mil inquéritos estão parados nas 143 delegacias da Polícia Civil do Estado por falta de efetivo policial. O número é dez mil a mais que o estimado em janeiro passado. O novo presidente da Associação dos Delegados (Adepol), Antônio Carlos Lessa, não faz estimativa. Reconhece, porém, que “tem milhares de inquéritos parados por falta de policiais para trabalhar em todos os casos”. Além disso, cerca de 40% dos efetivos já deveriam estar aposentados. Isso contribui para a impunidade, no momento em que a violência aumentou 11% de janeiro a agosto, como indica estatística da própria Segurança Pública.

A determinação da Delegacia Geral é investigar todos os casos. O órgão assegura que 12.186 inquéritos estão em andamento. Contudo, a carência de pessoal inviabiliza metas. Tanto que os delegados trabalham, prioritariamente, nos casos de homicídios, nas tentativas de assassinatos e outros crimes rumorosos. Os assassinatos de autoria desconhecida e os crimes de menor poder ofensivo aguardam e lotam as prateleiras das delegacias, confirmou o presidente do Sindpol, Ricardo Nazário.

“A pandemia do coronavírus fez piorar o trabalho da polícia judiciária”, avaliou Nazário, que atribui o problema à falta de estrutura das delegacias e ao fato de o governador Renan Filho (MDB) não cumprir a promessa de realizar o concurso público para aumentar os efetivos. Assessores do governo rebatem os agentes e delegados. Afirmaram que haverá concurso público no próximo ano. A data permanece indefinida. Levantamento feito pelo Sindpol revela ainda que cerca de 60 delegacias de polícia estão fechadas no Estado por falta de estrutura física e de mão de obra.

O problema é antigo e se agrava pela ausência de investimentos e de concurso. Só de agentes e escrivães a necessidade na Polícia Civil seria de, no mínimo, 1.500 servidores, estima Nazário. A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que o delegado-geral, Paulo Cerqueira, garantiu que os distritos estão funcionamento normalmente. Depois de três anos de manifestações e greves dos agentes da PC, o governador Renan decidiu receber a direção do Sindpol. No encontro, em que esteve presente a cúpula da Polícia Civil, foram iniciadas as negociações por melhorias das condições de trabalho, de salário e concurso público. Nada ficou definido. Haverá nova reunião no final do mês. Ao defender a urgência do concurso público, o presidente do Sindpol foi taxativo: “Nossa Polícia Civil envelheceu”.

Do efetivo previsto em lei para atender a população de 3,3 milhões de habitantes, a PC deveria ter 4 mil agentes e escrivães. Tem 1.600 agentes, mais de 40%, cerca de 700 policiais, já deveriam estar aposentados e não o fizeram para não perderem vantagens trabalhistas. Segundo Nazário, a estatística da Secretaria de Segurança revela que a criminalidade não parou na pandemia. Ocorreu aumento de crimes violentos e faltou gente para trabalhar na maioria dos casos. Delegados e agentes afirmam que os boletins mensais da estatística criminal apontam aumento de assassinatos no Estado.

De janeiro a agosto ocorreram 868 homicídios, 11% (783 assassinatos) a mais que no mesmo período do ano passado. No período grave da pandemia [março a agosto] aumentaram as mortes violentas, 607 homicídios, 7% mais que no ano passado. A análise de dados da SSP aponta, ainda, que quase 92% das vítimas eram homens. Os Crimes Violentos Letais e Intencionais por idade, no período de janeiro a agosto de 2020, ocorreram na faixa dos 18 aos 19 anos e representaram mais de 52% dos casos. Mais de 70,4% foram mortos por arma de fogo. Quase 90% das pessoas assassinadas eram pardas ou pretas, respectivamente, 75,8% e 7,1%. Brancas representaram 12,7%.


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