‘Não tirei a vaga de ninguém’, afirma havaiana-brasileira aposta do surfe

 

 

Ao fim da terceira etapa do Circuito Mundial de surfe (WCT), em abril, em Margaret River (AUS), o Brasil tinha como único resultado no ranking feminino o décimo lugar de Silvana Lima. Nenhuma bateria foi disputada desde então, mas, às vésperas do Oi Rio Pro, quarto evento do ano, o país já pode exibir uma estrela no top 4.

A novidade se chama Tatiana Weston-Webb, que completa hoje 22 anos. Nascida em Porto Alegre, a jovem se mudou quando tinha dois meses de idade para a ilha de Kauai, no Havaí, e representava o estado americano até o mês passado. Mas foi seduzida pela chance de disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, que marcarão a estreia do surfe, pelo país natal.

Diante da falta de talentos no Brasil no naipe feminino, a decisão já era estudada pela Confederação Brasileira de Surfe (CBS) desde 2016, mas só foi sacramentada no início deste ano.

A surfista, que tem dupla cidadania, terá na etapa de Saquarema (RJ), que começa nesta sexta-feira e pode ir até o dia 20, a sua primeira oportunidade de defender a “nova” nação, após concluir o processo de mudança de nacionalidade no esporte.

Ela nega ter sentido qualquer desconforto por tirar a esperança de outras brasileiras que já atuavam no país. Embora o Havaí tenha sua bandeira no mundo do surfe, o mesmo não vale para as Olimpíadas. Neste caso, os surfistas têm de vestir o uniforme dos Estados Unidos.

Além da falta de identificação, Tatiana teria uma disputa muito mais acirrada por lá. Se o ranking olímpico fechasse hoje, ela estaria atrás da americana Lakey Peterson, vice-líder do WCT, e da havaiana Carissa Moore, a terceira da lista.

– Não senti nenhum desconforto, pois não tirei a vaga de ninguém. Sou brasileira de nascimento e estou na disputa por uma das vagas para representar o Brasil em Tóquio. Nada está definido sobre quem vai – disse Tatiana, que será anunciada nesta quarta como atleta do time da Oi.

As palavras em português ainda são um desafio. Mas a ligação com o Brasil cresce no dia a dia. A gaúcha, que pratica o esporte desde os oito anos, é filha da ex-bodyboarder gaúcha Tanira Guimarães e do surfista inglês Doug Weston-Webb, radicado no Havaí. Desde 2016, seu técnico é o paranaense Leandro Dora, o mesmo de Adriano de Souza. E ela namora o paulista Jessé Mendes.

Tatiana só virá ao Brasil para treinos seguirá morando no Havaí. Mas diz que, se depender dela, a história com o país não acabará tão cedo.

– Já existe uma geração de surfistas jovens sendo lapidadas para o futuro. O feminino vai crescer bastante nos próximos anos no Brasil. Só precisamos de mais competições – afirmou Weston-Webb, vice-campeã da etapa de Bells Beach, na Austrália, em março deste ano.

CBS diz que ‘as melhores’ irão a Tóquio

Com Tatiana e Silvana Lima praticamente certas nos Jogos de 2020, a Confederação Brasileira de Surfe (CBS) ainda tem de trabalhar para suprir a falta de mulheres em alto nível na modalidade no país. Tainá Hinckel, de 14 anos, é o terceiro nome hoje. A entidade mantém a briga aberta.

– A torcida é que apareçam mais atletas de alto nível e que possam disputar com elas. Porque quem vai representar o Brasil em 2020 são as melhores – disse o presidente da CBS, Adalvo Argolo.

 

 

FONTE: http://www.lance.com.br


Deixe um comentario