Fantástico mostra situação precária de escolas públicas de Alagoas

Fantástico e Gazetaweb

Na noite deste domingo (9), o programa Fantástico da Rede Globo, apresentou uma reportagem especial sobre a situação precária em escolas e a falta de condições para estudar no Estado de Alagoas. Os municípios de Joaquim Gomes e Palmeira dos Índios foram alvo da matéria, que foi ao ar às 22 horas.

Em Joaquim Gomes, município localizado na Zona da Mata do Estado, estudantes precisam acordar de madrugada para poder ir de caminhão até uma rodovia e poder pegar ônibus disponibilizado pela prefeitura da cidade.

“O percurso deles é em torno de 20, 30 quilômetros. Muitos acordam duas, três horas da manhã, para pegar um caminhão, para que esse caminhão leve até a rodovia, para da rodovia vir de um transporte fornecido pela prefeitura do município: o ônibus escolar”, conta um morador de Joaquim Gomes.

Questionada pelo repórter a que horas saía de casa, a estudante Wiliana Soares, de Joaquim Gomes, foi precisa. “Acordo às 4 horas da manhã para poder pegar o caminhão”, disse. Sobre a mesma pergunta, o estudante Everton Guedes respondeu que tem que sair de casa, no máximo, às 4h10 para pegar o caminhão.

Isso é quando o dia é de sol porque quando chove, o jeito é percorrer os 30 km a pé, já que o caminhão não consegue passar pelas ruas de barro porque atola. “Quando chove tem que ir a pé ou então ficar em casa mesmo e não ir estudar”, disse Everton Guedes.

O que a reportagem mostra são escolas em que falta tudo, escolas que nem de longe lembram uma escola. O que não falta é a força de vontade de alunos, professores e pais que sofrem com as péssimas condições de ensino. Sofrem e ficam indignados.

Na escola indígena Pajé Miguel Selestino da Silva, em Palmeira dos Índios, em Alagoas, o que falta é a própria sala de aula. Os alunos têm aula debaixo de uma mangueira, isso mesmo, um pé de mangas, porque a sede da escola foi interditada por falta de condições estruturais do prédio.

“Há mais de dois anos que eu venho ministrando aula debaixo da mangueira. É bastante complicado, até porque de repente vem uma chuva, então tem que todo mundo correr e abandonar a aula”, disse Jecinaldo Xucuru Kariri, professor e integrante da comunidade indígena Xucuru Kariri, em Joaquim Gomes.

Em uma galpão, funciona outra sala. É uma situação de improviso, porque a sede original da escola não tem mais condições de uso e necessita de reforma. No galpão, os alunos ficam espremidos. Além do desconforto, tem o perigo.

Na mais recente pesquisa brasileira do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), Alagoas foi um dos estados que tiveram as notas médias mais baixas. Os repórteres do Fantástico passaram dois meses registrando as condições de escolas em Alagoas, Pernambuco e no Maranhão, onde as notas foram baixas.


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