Esquema de advogados envolvia diversas transferências manipuladas de presos

Esquema de advogados envolvia diversas transferências manipuladas de presos

Os delegados José Carlos e Gustavo Henrique, da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic), concederam entrevista coletiva nesta sexta-feira (5), para dar mais detalhes a respeito da operação que resultou na prisão de advogados que estariam envolvidos em um esquema de transferência de presos. As investigações apontaram que os reeducandos eram levados ao Presídio do Agreste propositalmente, com o intuito de que eles pagassem ao grupo para serem transferidos para um presídio da capital, onde as regras são menos rígidas e há a possibilidade de acesso, mesmo que ilegal, ao aparelho celular.

“Os próprios presos, que foram ouvidos, principalmente, durante o processo inicial da investigação, contam que sofreram diversas transferências da capital para o Agreste. Eles relatam que essas transferências aconteciam para que, posteriormente, eles pagassem determinado valor para que voltassem à capital”, contam os delegados, destacando que o esquema envolvia reeducandos de alta periculosidade, que têm envolvimento, inclusive, com facções criminosas.

As autoridades policiais confirmaram que as investigações começaram ainda em 2019, após provocação feita pela juíza Renata Malafaia, que atua na Vara de Execuções Penais. Ela teria informado que tomou conhecimento de um esquema dentro do Sistema Penitenciário, envolvendo transferência de presos.

Delegados falam sobre esquema envolvendo advogados

Investigações apontam que presos eram abordados para que pagassem por transferência
Durante as investigações, ficou comprovada a participação dos advogados no esquema. Eles foram alvos de uma operação deflagrada na quarta-feira (3), em Maceió. Na ocasião, foram presos Fidel Dias de Melo Gomes, Ruan Vinícius Gomes de Lima e Rossemy Alves Doso. Hugo Soares Braga, filho do juiz José Braga Neto, da Vara de Execuções Penais, não foi localizado e não chegou a ser preso. Eles conseguiram habeas corpus nessa quinta-feira (4) e deixaram o presídio Baldomero Cavalcanti.

Durante a coletiva, os delegados afirmaram que um dos presos deve ser retirado do inquérito, tendo em vista que deu um depoimento esclarecedor, convencendo as autoridades de que não teria envolvimento no crime. Trata-se de Rossemy Alves Doso.

“Estamos praticamente convencidos de que o dr. Rossemy deve sair do polo passivo da investigação. Ele nos convenceu de que não tinha participação no esquema. Ele passará a ser declarante, mas poderá, posteriormente, entrar como testemunha no inquérito”, destacaram as autoridades, ao contar que os trabalhos relacionados ao caso já estão na fase final.

Sem citar nomes, os delegados afirmaram que um dos advogados articulava todo o esquema, fazendo com que os demais assinassem os pedidos de transferência dos presos. Uma autoridade judiciária também poderia fazer parte do esquema, mas a polícia não obteve autorização do Tribunal de Justiça para investigá-la.

Durante coletiva, delegados da Deic falam sobre o esquema

Presos eram abordados para pagar por transferências
“Atualmente, não existe nenhuma autoridade investigada neste inquérito, até porque tem foro. A polícia não pode investigar a menos que haja autorização do Poder Judiciário e fomos autorizados a investigar somente os advogados”, pontuaram.

Além de prestarem depoimento, os presos entregaram aos delegados áudios que comprovam como funcionava o esquema. Além da cobrança de altos valores para a transferência, os advogados também “trabalhavam” com a entrega de carros e imóveis. “Havia as negociações. Hora se pedia dinheiro, imóveis, veículos”, contam os delegados.

“Os presos podem responder por associação criminosa, tráfico de influência ou exploração de prestígio e extorsão. Entendemos que os reeducandos abordados foram extorquidos, foram induzidos a pagar determinados valores e, se não pagassem, eles recebiam ameaças de que poderia surgir algo que atrapalhasse a progressão de regime”, finalizam os delegados.


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