Entenda a ‘crise dos dois presidentes’ que divide a Venezuela

Entenda a ‘crise dos dois presidentes’ que divide a Venezuela

23 de janeiro é uma data histórica na Venezuela. Nesse dia, em 1958, após uma greve geral, um levante de setores das Forças Armadas derrubou a ditadura do general Marcos Pérez Jimenez e retomou a democracia no país.
Não por acaso, o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, escolheu a última quarta-feira, 23 de janeiro de 2019, para convocar manifestações contra o presidente Nicolás Maduro. Ele se autoproclamou presidente interino do país, fez o juramento sobre a Constituição e prometeu novas eleições.

A jogada de Guaidó é arriscada. Presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, órgão do Legislativo dominado pela oposição contra Maduro, ele conta com apoio internacional, mas para poder tomar o poder de fato, precisa do apoio dos militares.

Apoios regionais
Logo depois que o opositor a Maduro se proclamou presidente — algo que não tem previsão legal na Constituição venezuelana —, ele foi reconhecido por Donald Trump, presidente dos EUA.
Em seguida, vieram os apoios dos presidentes Jair Bolsonaro (Brasil), Iván Duque (Colômbia), Carlos Alvarado (Costa Rica), Lenín Moreno (Equador) e da vice-presidente do Peru, Mercedes Aráoz. Todos estão na Suíça para o Fórum Econômico Mundial.

Os presidentes Maurício Macri, da Argentina, e Mário Abdo, do Paraguai, reconheceram a legitimidade de Guaidó por meio de posts no Twitter. Ainda não é possível prever, no entanto, se isso será suificiente para mudar o panorama político da Venezuela, que sofre uma das piores crises econômicas de sua história.
Corte de relações

Durante a tarde, Maduro fez um discurso na sacada do Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, no qual defendeu seu mandato. Ele foi eleito em maio do ano passado, em uma votação polêmica que não teve a participação de boa parte do eleitorado.

No pronunciamento, o presidente disse ter chamado Guaidó e a oposição ao diálogo e afirmou que cortou relações diplomáticas e políticas com os EUA, que ele afirma estar por trás do opositor. Ele deu 72 horas para que os diplomatas norte-americanos saiam do país.
Entre os líderes mundiais que reconhecem o mandato de Maduro estão os presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador, da Rússia, Vladimir Putin, da Bolívia, Evo Morales e da Turquia, Recep Erdogan.
Conflitos internos
Internamente, alguns setores das forças armadas venezuelanas participam de manifestações contra Maduro. O alto comando militar do país, no entanto, permanece leal ao presidente. E isso pode ser essencial nos próximos dias.
Em um comunicado postado no Twitter, o Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas declarou apoio a Maduro.

Enquanto isso, multidões protestam contra e a favor do presidente nas ruas da Venezuela. Até a noite de quarta-feira, pelo menos oito pessoas tinham perdido a vida em confrontos com a Guarda Nacional Bolivariana.


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