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Metrópoles

Dores crônicas podem piorar no inverno e exigem cuidados redobrados

Com a queda das temperaturas, muitas pessoas percebem um aumento nas dores no corpo, especialmente quem já convive com quadros crônicos. O frio, a menor exposição ao sol e até as mudanças no humor podem intensificar sintomas e comprometer a qualidade de vida, principalmente entre idosos, mulheres e pacientes com doenças como fibromialgia, artrite e lombalgia.

Segundo Marcelo Valadares, neurocirurgião, responsável pela área de Neurocirurgia Funcional da Unicamp e especialista no tratamento da dor crônica, o inverno costuma trazer um conjunto de fatores que favorece o agravamento da dor. Entre eles estão a redução do fluxo sanguíneo periférico, o aumento da rigidez muscular e a piora do sono e do estado emocional. Por isso, o cuidado com esses pacientes precisa ser mantido ao longo de toda a estação, com adaptações para garantir mais conforto e adesão ao tratamento.

Por que a dor aumenta no frio?

As baixas temperaturas podem deixar o corpo mais rígido e sensível. Com isso, tarefas simples do dia a dia passam a causar mais incômodo e desconforto.

Além da resposta física ao frio, o período também interfere no bem-estar emocional. A menor exposição à luz solar pode afetar o humor e contribuir para quadros de insônia, ansiedade e depressão, fatores que estão diretamente ligados à percepção da dor.

Quem sofre mais

Nem todas as pessoas sentem o inverno da mesma forma. De acordo com Marcelo Valadares, os moradores de regiões frias, pessoas que vivem em áreas com pouca incidência solar e pacientes com histórico de sofrimento emocional tendem a ser mais vulneráveis.

Também merecem atenção especial aqueles que já passaram por quedas, hospitalizações ou têm limitações de mobilidade. Nesses casos, a combinação entre dor, frio e menor atividade física pode criar um ciclo difícil de romper.

Tratamento não deve parar

Mesmo nos meses mais frios, o controle da dor precisa continuar. O ideal é manter uma abordagem multidisciplinar, combinando diferentes estratégias para aliviar sintomas e preservar a funcionalidade do paciente.

Entre os recursos mais usados estão medicamentos moduladores da dor, fisioterapia regular e exercícios de alongamento. Atividades físicas supervisionadas, como caminhadas, pilates e hidroterapia, também podem ajudar bastante, desde que adaptadas às condições de cada pessoa.

Cuidados com o corpo e a rotina

Pequenas mudanças no dia a dia fazem diferença no enfrentamento da dor crônica durante o inverno. Manter o corpo aquecido, evitar longos períodos parado e respeitar os limites físicos são medidas importantes para reduzir crises.

Em alguns casos, até procedimentos e sessões que exigem exposição ao frio ou a ambientes não climatizados precisam ser ajustados para não gerar desconforto adicional. A ideia é preservar o tratamento sem aumentar o sofrimento do paciente.

Saúde emocional também conta

O acompanhamento psicológico tem papel essencial no controle da dor crônica. Isso porque o emocional interfere diretamente na forma como o corpo percebe o incômodo.

Quando o paciente está ansioso, deprimido ou mais isolado, a tendência é que a dor seja sentida de maneira mais intensa. Por isso, cuidar da saúde mental é parte fundamental do tratamento.

Terapias complementares podem ajudar

Além dos cuidados tradicionais, recursos complementares também podem trazer alívio. Acupuntura, massagens e técnicas de relaxamento ajudam a reduzir a tensão muscular e promovem sensação de conforto.

Essas práticas podem ser ainda mais úteis no inverno, já que também contribuem para a sensação de aquecimento e bem-estar. O mais importante é que cada abordagem seja indicada e acompanhada por um profissional.

Atenção aos sinais

Quem já convive com dor crônica deve ficar atento a mudanças no padrão dos sintomas durante o inverno. Se houver piora importante, dificuldade para dormir, aumento do isolamento ou queda no humor, é hora de buscar orientação médica.

O frio pode até agravar o quadro, mas com acompanhamento adequado, ajustes no tratamento e cuidado contínuo, é possível atravessar a estação com mais segurança e qualidade de vida.

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