
Após abrir em leve alta, o dólar mudou o sinal e passou a operar em baixa, nesta quinta-feira (19/2), em um dia no qual as atenções do mercado financeiro estão divididas entre a agenda econômica nacional e os Estados Unidos.
No cenário doméstico, os investidores repercutem os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, referentes a dezembro do ano passado.
Nos EUA, o mercado segue monitorando os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), que define a taxa básica de juros da economia do país. Nesta quinta, dirigentes da autoridade monetária devem fazer pronunciamentos, um dia depois da divulgação da ata da última reunião do colegiado.
De acordo com os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a chamada “prévia” do PIB, a economia brasileira recuou 0,2% em dezembro de 2025, confirmando o cenário de arrefecimento da atividade econômica.
Mesmo assim, o resultado veio melhor do que a média das estimativas do mercado, que apontavam um recuo ainda maior, de 0,5% no último mês do ano passado. Em novembro, o IBC-Br indicou alta de 0,7%.
Já no acumulado de 2025, segundo os dados do BC, a economia brasileira teve uma expansão de 2,5%, o que mostra desaceleração em relação à alta de 3,7% do ano anterior. Trata-se do pior resultado da economia brasileira pelo IBC-Br desde 2020, no início da pandemia de Covid-19.
O IBC-Br incorpora estimativas de crescimento para os setores agropecuário, industrial e de serviços. O cálculo é feito com ajuste sazonal, o que permite comparar períodos diferentes. O indicador é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país, a Selic.
O PIB, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Uma alta significa que a economia está crescendo em bom ritmo, enquanto um recuo implica encolhimento da produção econômica do país.
No front internacional, o foco dos investidores continua sendo a política monetária nos EUA. Nessa quarta-feira (18/2), foi divulgada a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, realizada no fim de janeiro.
O documento mostrou que os dirigentes do BC dos EUA tiveram o entendimento quase unânime para manter os juros no patamar atual, no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano, mas seguem as dúvidas sobre as próximas reuniões.
Alguns integrantes do Fomc projetam um possível aumento nos juros caso a inflação siga resiliente. Outros, por sua vez, avaliam que novos cortes são plausíveis.
Ao fim da primeira reunião do Fomc do Fed em 2026, em 28 de janeiro, o BC dos EUA anunciou a manutenção dos juros no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano. Assim, o Fed interrompeu uma sequência de três cortes consecutivos.
A próxima reunião do Fomc está marcada para os dias 17 e 18 de março. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros no patamar atual é de 94,1%. Apenas 5,9% dos investidores apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual.
No fim de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o nome do ex-diretor do Fed Kevin Warsh para a presidência do BC norte-americano. Ele ainda precisa ser aprovado pelo Senado. Se isso ocorrer, vai suceder o atual chefe do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
