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Desânimo pós-Carnaval: o que acontece com o cérebro na volta à rotina

 

 

Imagem colorida mostra mulher branca de camisa amarela cansada com as mãos na cabeça - Metrópoles

Irritação, cansaço extremo, desânimo e dificuldade de concentração após dias de festa, como o Carnaval, não são preguiça. Segundo a psicóloga Candice Galvão, o excesso de estímulos altera a química cerebral e dificulta a retomada do ritmo normal.

Depois de dias intensos de festa, pouco sono, consumo de álcool, excesso de estímulos e quebra total da rotina, muita gente volta ao trabalho com a sensação de mente lenta, corpo pesado e irritação constante. O que costuma ser chamado de moleza pode, na verdade, ser um quadro de esgotamento emocional pós-festa do Rei Momo.

Foto colorida de homem coberto por confeti deitado sobre um tapete ao lado de uma taça com bebida - Metrópoles.
Cansaço pós-Carnaval

Ressaca emocional e queda neuroquímica

Do ponto de vista psicológico e neurobiológico, o cérebro passa por uma espécie de “ressaca” após períodos de alta excitação. Durante a folia, há aumento de dopamina e adrenalina, os neurotransmissores ligados ao prazer, energia e euforia. Ao mesmo tempo, o descanso diminui, os horários se desregulam e a previsibilidade desaparece.

Quando esse ritmo termina de forma abrupta, ocorre uma queda desses neurotransmissores, o que pode gerar desânimo, dificuldade de concentração, oscilação de humor e até sensação de vazio.

Estudos sobre privação de sono indicam que poucas noites mal dormidas já são suficientes para reduzir significativamente atenção, memória e desempenho cognitivo. A soma entre cansaço físico, sobrecarga social e alterações no padrão alimentar ajuda a explicar a dificuldade de retomar a produtividade na semana seguinte.

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Culpa pela falta de rendimento

Cansaço
Desânimo
Estagnação

Não é preguiça, é resposta do sistema nervoso

Para a psicóloga Candice Galvão, especialista em saúde mental, neuropsicologia e regulação emocional, essa resposta é esperada e não deve ser interpretada como falha de caráter.

“O sistema nervoso entra em modo de excitação constante durante a folia. São muitos estímulos ao mesmo tempo: música, interação social intensa, menos horas de sono e, muitas vezes, maior consumo de álcool. Quando a rotina volta de repente, o cérebro sente essa queda de estímulo. Essa transição pode provocar irritabilidade, cansaço extremo e falta de foco. Não é preguiça, é uma resposta emocional do organismo”, explica a psicóloga.

Segundo Candice, o corpo e a mente precisam de tempo para reorganizar seus ritmos internos.

O cérebro gosta de previsibilidade. Quando passamos vários dias fora do nosso padrão habitual, ele precisa de um período de readaptação. Forçar produtividade máxima imediatamente após o feriado pode aumentar ainda mais a sensação de frustração e esgotamento”, afirma.

O desânimo após o Carnaval não é preguiça
lpa pode agravar o quadro

Além da exaustão física e mental, a autocrítica intensa costuma piorar o cenário.

“Muitas pessoas voltam se cobrando desempenho alto já na primeira manhã. Quando percebem que estão mais lentas ou dispersas, interpretam isso como incompetência. Essa autocrítica excessiva aumenta a ansiedade e piora a dificuldade de concentração”, pontua a especialista.

Ela ressalta que acolher o próprio ritmo é parte do processo de regulação emocional: “Quando entendemos que essa lentidão é temporária e faz parte de uma reorganização do sistema nervoso, conseguimos atravessar esse período com menos culpa e mais autocuidado.”

Psicoterapia como cuidado preventivo

Candice destaca que a psicoterapia não deve ser buscada apenas em momentos de crise.

“A psicoterapia ajuda antes, durante e depois. Antes, fortalecendo autoconhecimento e limites. Durante, promovendo consciência das escolhas e do próprio ritmo. E depois, auxiliando o cérebro a reorganizar emoções e rotina sem sobrecarga. Saúde mental não é algo emergencial, é construção contínua”, afirma.

Ela reforça que o acompanhamento psicológico funciona como ferramenta de sustentação ao longo do ano.

“Psicoterapia é cuidado preventivo. É o que sustenta o equilíbrio ao longo do ano. Quando a pessoa aprende a reconhecer seus limites e sinais de esgotamento, ela consegue atravessar períodos intensos com mais consciência e menos culpa.”

A profissional afirma que observa aumento na procura por apoio psicológico após feriados prolongados e datas de grande intensidade social, como o Carnaval, festas de fim de ano e grandes eventos.

“Não é preguiça. É um sistema emocional pedindo regulação. Quando entendemos isso, paramos de nos culpar e começamos a nos cuidar”, conclui.

 

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